Frases:
- "Deus, para a grande maioria das pessoas, é o dinheiro. Mas elas farão de tudo para dizerem que não." - Autoria minha;
- "Os cientistas são capazes de produzir visões ou a sensação de transcendência espiritual com o estímulo artificial de certas áreas do cérebro." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "O ser humano prefere acreditar do que conhecer. É mais fácil." - Autoria minha (há vinte anos...);
- "Não evoluímos para duvidar ou ter visão crítica. Isso exige educação e reflexão. Crer é mais fácil." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana -
Revista ÉPOCA - 13/01/2012 - 13:06 - Atualizado em 20/01/2012 - 11:44 - Acessado em 03/11/2013 - 13:21:
(http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/01/michael-shermer-pessoas-gostam-de-ser-enganadas.html )
- "Existem 10.000 religiões. Espanta-me a arrogância de quem supõe que só uma crença seja correta em meio a tantas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "[...] a convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou extraterrestres, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "A neurociência identifica padrões de ondas cerebrais distintos que nos levam a criar crendices e a ter prazer na constatação de que temos respostas às nossas dúvidas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "Em situações extremas, como as enfrentadas por quem está no limite da resistência física ou próximo à morte, o cérebro reage com a redução da atividade na área responsável pela consciência e o aumento em regiões ligadas à imaginação. Essa reação natural está na origem das alucinações." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana.
:::::
A necessidade humana da religião
Estamos na Terra há aproximadamente 300 mil anos. Independente do quanto houve de desenvolvimento da nossa inteligência nesse período, possuíamos um cérebro, no mínimo, muito próximo ao nosso atual, dotado de consciência, emoções, sentimentos e a própria inteligência.
Algo interessante de se observar é que a grande diferença entre nós e os nossos antepassados reside no fato de recebermos conhecimento "pronto", desde a infância, sobre o mundo que nos cerca, sobre nós mesmos, a partir do nosso meio ambiente social, principalmente dos pais e dos professores. Eles não; de poucas informações passadas dos mais velhos para as crianças e jovens, havia um universo muito grande de possibilidades da natureza e deles próprios também.
Você precisou descobrir sozinho, na infância, se a água a ser ingerida era suja ou limpa? Você precisou, na adolescência, aprender fazer o fogo? É por isto que perguntas assim são tolas: somos tão acostumados a receber conhecimentos "prontos" que nem damos conta disto.
Mas o ser humano não precisava saber apenas como fazer o fogo para se aquecer ou se proteger de grandes animais. Ele, pela curiosidade e também até necessidade, queria saber de onde viera a água, o chão, a chama vermelha e quente do fogo, e, não só saber a respeito da natureza, mas também quem era ele, porque estava vivo no próprio entender do que era estar vivo enquanto via pessoas morrerem... Para aonde iam? Em termos de grupos de pessoas, queria saber como se relacionar com elas, como melhorar a convivência de todos porque viviam em comunidades. E aqui eu poderia fazer uma lista tão grande de conhecimentos, valores, regras, etc., para o ser humano viver bem, em todas as épocas e locais no planeta, que só apenas estes exemplos dão para você notar o quão grande seria essa lista.
Outro aspecto dessa busca incessante pelo conhecimento ocorria com algo também, acho eu, pouco comentado pela literatura: de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc., sendo tudo isto tão obscuro para eles que até hoje muitas pessoas não acreditam, ou possuem uma enorme dificuldade de se atribuir essas atividades apenas às interações entre neurônios e áreas cerebrais específicas?
A que atribuíam toda a nossa atividade mental, que não era matéria comum, que não era nada parecido com tudo que viam ao redor de suas existências? Ou, a quem atribuíam tamanha força mantenedora da vida de todos?
E será que os sonhos não os influenciavam a pensar na existência de outros mundos além deste, em que saíam de seus corpos para se aventurarem neste e em outros planos desconhecidos quando acordados? Ou então que entravam em contato com o sobrenatural?
Em meu artigo neste blog, "O surgimento de uma religião como uma necessidade humana", eu falei apenas da imaginação das pessoas de como poderia surgir a região local de onde estavam. Aqui eu generalizo.
Já em outro artigo também neste blog, "As Bases de como eu vejo o Relativismo Religioso", na nota 01, eu falo da relação entre a criação de objetos, utensílios, armas, etc., ou seja, de tudo que os caçadores-coletores puderam criar com matéria-prima originada nas plantas, argila, ossos de animais, etc., através dos elementos da natureza impossíveis desses homens reproduzirem. Uma frase do artigo: "Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... tudo! Quem criou tudo?!". Este "tudo", no final, também seria a matéria-prima e alguém ou algo muito poderoso a criou.
Se entes divinos, ou um só, criou tudo, com homens e mulheres também, é razoável supor que os antigos humanos pensassem que ele (s) fosse (m) muito poderoso (s), até com respeito às mentes e a vida de todos. E aqui é o início das religiões porque surgiram crenças e seitas no planeta todo, não só em um local, sobre entes divinos no comando de... Tudo! Da estruturação dessas seitas e crenças vieram religiões.
Mas entes divinos poderiam também inspirar as pessoas sobre como e o que formularem com respeito a regras sociais, valores, etc., porque estavam, segundo esses antigos, em grande parte no comando dos seus cérebros.
Gosto de pensar nos dez mandamentos da história do cristianismo formulados por Moisés. "Não roubarás", "não matarás", "não levantar falso testemunho", são três grandes exemplos de regras muito importantes para grupos sociais. Ele esteve no monte Sinai e recebeu uma inspiração, diretamente ou não, do seu deus segundo o cristianismo, para tanto. Em minha opinião foi um trabalho de gênio que se retirou de todos para refletir e criar uma obra perfeita para as pessoas religiosas em pequenas frases, relacionando regras e valores com o deus criador dos homens, das mulheres e toda a natureza. E se você pensar nos dez mandamentos sem as regras ligadas ao deus cristão, ele ainda é perfeito como um conjunto de leis para qualquer sociedade, um grande avanço para aquela época, naquela pequena região do planeta.
Para este artigo denominado "A necessidade humana da religião", notamos que para o surgimento de uma religião não se faz necessário apenas algumas crenças. É preciso, já que se acredita em um deus absoluto, um conjunto de leis, regras, rituais, valores religiosos, etc., pelo simples fato desse deus estar por trás de tudo, permeando e influenciando todo um povo com necessidades de entender o meio que o cerca, como lidar com o bem e o mal, como entender a origem de tudo, o que e quem é o ser humano, suas origens, o fim e o que virá depois da morte, o maior medo que a humanidade jamais enfrentou e enfrenta.
Difícil englobar em um pequeno texto tudo o que é necessário para isto e muito mais, e, portanto, falei mais em deus, deuses, valores sociais, enquanto que valores religiosos eu explorei no artigo "Como se formam os valores religiosos em nosso cérebro". E inventaram religiões para explicarem às pessoas, em todas as épocas e lugares, infindáveis ensinamentos de todas as formas possíveis. Por isto elas não são completamente iguais. Depende do local, da cultura anterior e atual do povo, de fatos históricos, etc.
Por isto mostrei em outros parágrafos, de modo bem resumido, um pouco do desenvolvimento das religiões. O ser humano precisa de ensinamentos e orientações detalhadas e aqui entra a necessidade da religião. Um assunto bem estruturado satisfazendo às necessidades das pessoas, ao que pertence a elas, desde quando nascem: lidarem com o potencial em acreditar no sobrenatural, de aprenderem o que existe nele de útil para as suas vidas, algo de absoluto, tendo a fé como o mais poderoso sentimento envolvido em todo esse processo.
Na verdade, quando "o primeiro" ser humano surgiu na Terra, ele passou a olhar para si mesmo e o mundo que o rodeava. E a partir daí percebeu que possuía um enorme potencial para pensar e sentir muitas coisas. Desse ponto em diante a influência do que ele imaginou ser o sobrenatural fez com que chegássemos até hoje com algumas religiões de mais de um bilhão de adeptos (nota 02).
Mas... Pelos avanços da Neurociência, que digo nos meus textos sobre o Relativismo Religioso, a fé e o acreditar no sobrenatural são produtos de reações físico-químicas como um recurso da evolução, para um cérebro dotado de consciência e amor-próprio, não sofrer consequências desastrosas com problemas emocionais oriundos de questões existenciais, etc., de tudo já mencionado neste texto e nos outros que escrevi.
Então, como ficamos? Algo é certo: a humanidade passou dezenas, centenas de milhares de anos sem saber dessa influência das atividades neuronais porque nunca, e isto é óbvio, conheceram a Ciência em um nível como o de hoje. Só do século passado para cá foi possível examinar os fenômenos biológicos responsáveis pela nossa racionalidade mencionada no quinto parágrafo, "de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc.", e, complementando, as emoções e os nossos sentimentos.
Como eu disse no primeiro artigo de Neurociência que escrevi, "A Base Material dos Sentimentos", também na nota 01, acredito em uma revolução científica e filosófica afetando as religiões, porque, de uma alma ou espírito, criando nossos sentimentos e a nossa racionalidade, a Ciência descobre atualmente algo além de tudo que nós humanos imaginávamos até hoje.
- Nota 01:
PINTO, A. A. A Base Material dos Sentimentos. Cerebro & Mente, Campinas. Número 12, fev./abr. 2001. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html>. Acesso em: 06. 10. 2013.
PINTO, A. A. A Base Material dos Sentimentos. Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências. Disponível em: <http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/>. Aacesso em: 06. 10. 2013.
- Outros textos meus como base para este assunto:
“O poder dos sentimentos e das emoções” – http://opodsenemo.blogspot.com.br/
“Neurociência, Psicologia Evolutiva e Realigiões” - http://nepsicoreli.blogspot.com.br/
“Neurociência e consciência” - http://neuconblog.blogspot.com.br/
- Nota 02:
Pensa-se que nós humanos estamos em ligação direta com o sobrenatural, que este existe. Para mim é o contrário: temos o potencial de buscar em algo abstrato, com sentimentos, explicações para nós mesmos e ao mundo que nos cerca.
- E todos os artigos deste blog
:::::
O que é o Relativismo Religioso?
O Relativismo Religioso é o fato de que cada religião toma para si as suas verdades como absolutas, considerando as outras religiões como pagãs, ou seja, erradas, tomando como falsas ou sem propósito, as verdades de cada uma delas, os valores religiosos. Mas o que existe mesmo é uma relatividade em tudo que existe por aí, porque, então, qual delas estaria correta? O que é absoluto seria correto mas todas se dizem absolutas.
Elas consideram os seus deuses como as suas maiores verdades absolutas. Mas veja que são diferentes:
1 - O deus cristão não é o mesmo que os deuses do hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva;
2 - Alá, o deus do islamismo não é o mesmo que o deus cristão e dos hindus;
3 - O casal de deuses criadores das ilhas japonesas, berço do xintoísmo, a religião oficial do Japão, Izanagi e Izanami, não são os mesmos de todos acima. E assim acontece com todas as outras religiões. Qual deus é o verdadeiro? É relativo, depende de locais, épocas, estruturas sociais, etc., de onde eles foram inventados, mas isto para cada uma das religiões. Um só mesmo não existe...
A predisposição religiosa dos seres humanos é uma predisposição transcendental com sentimentos e emoções. Aliás, este, ao meu ver, é um conceito generalizado, entrando na formação de qualquer religião.
Explicarei em duas partes, I e II, uma com conceitos lógicos e outra com os sentimentos e emoções:
I - Temos a capacidade de pensar, elaborar, um mundo à parte do nosso, ou junto, e que pode ser "habitado" por entes de diversas formas e até sendo amorfos, ou só um ente mesmo, que influi, interage conosco e com tudo. Isto é a transcendência e não significa que acreditamos nele, mas, como temos um cérebro provido de sentimentos e emoções, com o acreditar e a fé, cairemos em II:
II - Esse ente, ou vários deles, seriam responsáveis por muitos fatos que ocorrem na vida das pessoas, na Terra, no universo, etc., sendo a base de todas as crenças, seitas e religiões criadas pelos seres humanos até hoje. O deus cristão é o exemplo mais próximo de nós porque o cristianismo e as suas vertentes é a religião com mais adeptos em nosso mundo ocidental.
Na minha visão do Relativismo Religioso, a existência de sentimentos e emoções, com o acreditar e a fé, não implica que existe (m) ente (s) divino (s), mas sim uma capacidade do nosso cérebro em manter este estado de coisas para ele continuar "funcionando", trabalhando de modo satisfatório. Como digo em meus artigos, temos recursos neuronais possuindo a capacidade de dar margens a muitas crenças para os seres humanos lidarem com questões existenciais, sociais, etc.
E também pelo fato das crenças que conhecemos terem algumas similaridades, dá a impressão que existe o sobrenatural e que nós temos a capacidade de chegar até ele. Mas não, é justamente ao contrário: essas similaridades existem porque a condição humana na Terra sempre fora igual para todos os povos, em todas as épocas e locais: sobreviver. Então inventamos coisas parecidas, mas não iguais: as religiões, que variam de povo para povo. E aqui entra a Teoria da Evolução.
- "Deus, para a grande maioria das pessoas, é o dinheiro. Mas elas farão de tudo para dizerem que não." - Autoria minha;
- "Os cientistas são capazes de produzir visões ou a sensação de transcendência espiritual com o estímulo artificial de certas áreas do cérebro." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "O ser humano prefere acreditar do que conhecer. É mais fácil." - Autoria minha (há vinte anos...);
- "Não evoluímos para duvidar ou ter visão crítica. Isso exige educação e reflexão. Crer é mais fácil." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana -
Revista ÉPOCA - 13/01/2012 - 13:06 - Atualizado em 20/01/2012 - 11:44 - Acessado em 03/11/2013 - 13:21:
(http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/01/michael-shermer-pessoas-gostam-de-ser-enganadas.html )
- "Existem 10.000 religiões. Espanta-me a arrogância de quem supõe que só uma crença seja correta em meio a tantas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "[...] a convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou extraterrestres, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "A neurociência identifica padrões de ondas cerebrais distintos que nos levam a criar crendices e a ter prazer na constatação de que temos respostas às nossas dúvidas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;
- "Em situações extremas, como as enfrentadas por quem está no limite da resistência física ou próximo à morte, o cérebro reage com a redução da atividade na área responsável pela consciência e o aumento em regiões ligadas à imaginação. Essa reação natural está na origem das alucinações." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana.
:::::
A necessidade humana da religião
Estamos na Terra há aproximadamente 300 mil anos. Independente do quanto houve de desenvolvimento da nossa inteligência nesse período, possuíamos um cérebro, no mínimo, muito próximo ao nosso atual, dotado de consciência, emoções, sentimentos e a própria inteligência.
Algo interessante de se observar é que a grande diferença entre nós e os nossos antepassados reside no fato de recebermos conhecimento "pronto", desde a infância, sobre o mundo que nos cerca, sobre nós mesmos, a partir do nosso meio ambiente social, principalmente dos pais e dos professores. Eles não; de poucas informações passadas dos mais velhos para as crianças e jovens, havia um universo muito grande de possibilidades da natureza e deles próprios também.
Você precisou descobrir sozinho, na infância, se a água a ser ingerida era suja ou limpa? Você precisou, na adolescência, aprender fazer o fogo? É por isto que perguntas assim são tolas: somos tão acostumados a receber conhecimentos "prontos" que nem damos conta disto.
Mas o ser humano não precisava saber apenas como fazer o fogo para se aquecer ou se proteger de grandes animais. Ele, pela curiosidade e também até necessidade, queria saber de onde viera a água, o chão, a chama vermelha e quente do fogo, e, não só saber a respeito da natureza, mas também quem era ele, porque estava vivo no próprio entender do que era estar vivo enquanto via pessoas morrerem... Para aonde iam? Em termos de grupos de pessoas, queria saber como se relacionar com elas, como melhorar a convivência de todos porque viviam em comunidades. E aqui eu poderia fazer uma lista tão grande de conhecimentos, valores, regras, etc., para o ser humano viver bem, em todas as épocas e locais no planeta, que só apenas estes exemplos dão para você notar o quão grande seria essa lista.
Outro aspecto dessa busca incessante pelo conhecimento ocorria com algo também, acho eu, pouco comentado pela literatura: de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc., sendo tudo isto tão obscuro para eles que até hoje muitas pessoas não acreditam, ou possuem uma enorme dificuldade de se atribuir essas atividades apenas às interações entre neurônios e áreas cerebrais específicas?
A que atribuíam toda a nossa atividade mental, que não era matéria comum, que não era nada parecido com tudo que viam ao redor de suas existências? Ou, a quem atribuíam tamanha força mantenedora da vida de todos?
E será que os sonhos não os influenciavam a pensar na existência de outros mundos além deste, em que saíam de seus corpos para se aventurarem neste e em outros planos desconhecidos quando acordados? Ou então que entravam em contato com o sobrenatural?
Em meu artigo neste blog, "O surgimento de uma religião como uma necessidade humana", eu falei apenas da imaginação das pessoas de como poderia surgir a região local de onde estavam. Aqui eu generalizo.
Já em outro artigo também neste blog, "As Bases de como eu vejo o Relativismo Religioso", na nota 01, eu falo da relação entre a criação de objetos, utensílios, armas, etc., ou seja, de tudo que os caçadores-coletores puderam criar com matéria-prima originada nas plantas, argila, ossos de animais, etc., através dos elementos da natureza impossíveis desses homens reproduzirem. Uma frase do artigo: "Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... tudo! Quem criou tudo?!". Este "tudo", no final, também seria a matéria-prima e alguém ou algo muito poderoso a criou.
Se entes divinos, ou um só, criou tudo, com homens e mulheres também, é razoável supor que os antigos humanos pensassem que ele (s) fosse (m) muito poderoso (s), até com respeito às mentes e a vida de todos. E aqui é o início das religiões porque surgiram crenças e seitas no planeta todo, não só em um local, sobre entes divinos no comando de... Tudo! Da estruturação dessas seitas e crenças vieram religiões.
Mas entes divinos poderiam também inspirar as pessoas sobre como e o que formularem com respeito a regras sociais, valores, etc., porque estavam, segundo esses antigos, em grande parte no comando dos seus cérebros.
Gosto de pensar nos dez mandamentos da história do cristianismo formulados por Moisés. "Não roubarás", "não matarás", "não levantar falso testemunho", são três grandes exemplos de regras muito importantes para grupos sociais. Ele esteve no monte Sinai e recebeu uma inspiração, diretamente ou não, do seu deus segundo o cristianismo, para tanto. Em minha opinião foi um trabalho de gênio que se retirou de todos para refletir e criar uma obra perfeita para as pessoas religiosas em pequenas frases, relacionando regras e valores com o deus criador dos homens, das mulheres e toda a natureza. E se você pensar nos dez mandamentos sem as regras ligadas ao deus cristão, ele ainda é perfeito como um conjunto de leis para qualquer sociedade, um grande avanço para aquela época, naquela pequena região do planeta.
Para este artigo denominado "A necessidade humana da religião", notamos que para o surgimento de uma religião não se faz necessário apenas algumas crenças. É preciso, já que se acredita em um deus absoluto, um conjunto de leis, regras, rituais, valores religiosos, etc., pelo simples fato desse deus estar por trás de tudo, permeando e influenciando todo um povo com necessidades de entender o meio que o cerca, como lidar com o bem e o mal, como entender a origem de tudo, o que e quem é o ser humano, suas origens, o fim e o que virá depois da morte, o maior medo que a humanidade jamais enfrentou e enfrenta.
Difícil englobar em um pequeno texto tudo o que é necessário para isto e muito mais, e, portanto, falei mais em deus, deuses, valores sociais, enquanto que valores religiosos eu explorei no artigo "Como se formam os valores religiosos em nosso cérebro". E inventaram religiões para explicarem às pessoas, em todas as épocas e lugares, infindáveis ensinamentos de todas as formas possíveis. Por isto elas não são completamente iguais. Depende do local, da cultura anterior e atual do povo, de fatos históricos, etc.
Por isto mostrei em outros parágrafos, de modo bem resumido, um pouco do desenvolvimento das religiões. O ser humano precisa de ensinamentos e orientações detalhadas e aqui entra a necessidade da religião. Um assunto bem estruturado satisfazendo às necessidades das pessoas, ao que pertence a elas, desde quando nascem: lidarem com o potencial em acreditar no sobrenatural, de aprenderem o que existe nele de útil para as suas vidas, algo de absoluto, tendo a fé como o mais poderoso sentimento envolvido em todo esse processo.
Na verdade, quando "o primeiro" ser humano surgiu na Terra, ele passou a olhar para si mesmo e o mundo que o rodeava. E a partir daí percebeu que possuía um enorme potencial para pensar e sentir muitas coisas. Desse ponto em diante a influência do que ele imaginou ser o sobrenatural fez com que chegássemos até hoje com algumas religiões de mais de um bilhão de adeptos (nota 02).
Mas... Pelos avanços da Neurociência, que digo nos meus textos sobre o Relativismo Religioso, a fé e o acreditar no sobrenatural são produtos de reações físico-químicas como um recurso da evolução, para um cérebro dotado de consciência e amor-próprio, não sofrer consequências desastrosas com problemas emocionais oriundos de questões existenciais, etc., de tudo já mencionado neste texto e nos outros que escrevi.
Então, como ficamos? Algo é certo: a humanidade passou dezenas, centenas de milhares de anos sem saber dessa influência das atividades neuronais porque nunca, e isto é óbvio, conheceram a Ciência em um nível como o de hoje. Só do século passado para cá foi possível examinar os fenômenos biológicos responsáveis pela nossa racionalidade mencionada no quinto parágrafo, "de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc.", e, complementando, as emoções e os nossos sentimentos.
Como eu disse no primeiro artigo de Neurociência que escrevi, "A Base Material dos Sentimentos", também na nota 01, acredito em uma revolução científica e filosófica afetando as religiões, porque, de uma alma ou espírito, criando nossos sentimentos e a nossa racionalidade, a Ciência descobre atualmente algo além de tudo que nós humanos imaginávamos até hoje.
- Nota 01:
PINTO, A. A. A Base Material dos Sentimentos. Cerebro & Mente, Campinas. Número 12, fev./abr. 2001. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html>. Acesso em: 06. 10. 2013.
PINTO, A. A. A Base Material dos Sentimentos. Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências. Disponível em: <http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/>. Aacesso em: 06. 10. 2013.
- Outros textos meus como base para este assunto:
“O porquê dos nossos sentimentos” – Cerebro & Mente - http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html - Acesso em: 06. 10. 2013. E em Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociência - <http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/>.
“O porquê dos nossos sentimentos - II” – Cerebro & Mente - <http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html>. Acesso em: 06. 10. 2013. E em Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociência - http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/
“O poder dos sentimentos e das emoções” – http://opodsenemo.blogspot.com.br/
“Consciência, amor-próprio, fé e transcendaência – A moderna Teoria da Evolução” - http://coamoprofetrans.blogspot.com.br/
“Psicologia evolutiva – Uma visão básica sobre o assunto” - http://psicoevolutiv.blogspot.com.br/
“Neurociência, Psicologia Evolutiva e Realigiões” - http://nepsicoreli.blogspot.com.br/
“Uma finalização a respeito dos meus artigos anteriores” - http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/
“Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências” - http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/
“Neurociência e consciência” - http://neuconblog.blogspot.com.br/
- Nota 02:
Pensa-se que nós humanos estamos em ligação direta com o sobrenatural, que este existe. Para mim é o contrário: temos o potencial de buscar em algo abstrato, com sentimentos, explicações para nós mesmos e ao mundo que nos cerca.
- E todos os artigos deste blog
:::::
O que é o Relativismo Religioso?
O Relativismo Religioso é o fato de que cada religião toma para si as suas verdades como absolutas, considerando as outras religiões como pagãs, ou seja, erradas, tomando como falsas ou sem propósito, as verdades de cada uma delas, os valores religiosos. Mas o que existe mesmo é uma relatividade em tudo que existe por aí, porque, então, qual delas estaria correta? O que é absoluto seria correto mas todas se dizem absolutas.
Elas consideram os seus deuses como as suas maiores verdades absolutas. Mas veja que são diferentes:
1 - O deus cristão não é o mesmo que os deuses do hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva;
2 - Alá, o deus do islamismo não é o mesmo que o deus cristão e dos hindus;
3 - O casal de deuses criadores das ilhas japonesas, berço do xintoísmo, a religião oficial do Japão, Izanagi e Izanami, não são os mesmos de todos acima. E assim acontece com todas as outras religiões. Qual deus é o verdadeiro? É relativo, depende de locais, épocas, estruturas sociais, etc., de onde eles foram inventados, mas isto para cada uma das religiões. Um só mesmo não existe...
A predisposição religiosa dos seres humanos é uma predisposição transcendental com sentimentos e emoções. Aliás, este, ao meu ver, é um conceito generalizado, entrando na formação de qualquer religião.
Explicarei em duas partes, I e II, uma com conceitos lógicos e outra com os sentimentos e emoções:
I - Temos a capacidade de pensar, elaborar, um mundo à parte do nosso, ou junto, e que pode ser "habitado" por entes de diversas formas e até sendo amorfos, ou só um ente mesmo, que influi, interage conosco e com tudo. Isto é a transcendência e não significa que acreditamos nele, mas, como temos um cérebro provido de sentimentos e emoções, com o acreditar e a fé, cairemos em II:
II - Esse ente, ou vários deles, seriam responsáveis por muitos fatos que ocorrem na vida das pessoas, na Terra, no universo, etc., sendo a base de todas as crenças, seitas e religiões criadas pelos seres humanos até hoje. O deus cristão é o exemplo mais próximo de nós porque o cristianismo e as suas vertentes é a religião com mais adeptos em nosso mundo ocidental.
Na minha visão do Relativismo Religioso, a existência de sentimentos e emoções, com o acreditar e a fé, não implica que existe (m) ente (s) divino (s), mas sim uma capacidade do nosso cérebro em manter este estado de coisas para ele continuar "funcionando", trabalhando de modo satisfatório. Como digo em meus artigos, temos recursos neuronais possuindo a capacidade de dar margens a muitas crenças para os seres humanos lidarem com questões existenciais, sociais, etc.
E também pelo fato das crenças que conhecemos terem algumas similaridades, dá a impressão que existe o sobrenatural e que nós temos a capacidade de chegar até ele. Mas não, é justamente ao contrário: essas similaridades existem porque a condição humana na Terra sempre fora igual para todos os povos, em todas as épocas e locais: sobreviver. Então inventamos coisas parecidas, mas não iguais: as religiões, que variam de povo para povo. E aqui entra a Teoria da Evolução.
:::::
As Bases de como eu Vejo o Relativismo Religioso
O assunto do Relativismo Religioso, no meu modo de pensar, é muito complexo e se faz necessário, primeiro, algo bem organizado, um esquema com declarações enumeradas, como tópicos, itens, sobre fatos científicos e ideias próprias, para um melhor entendimento do leitor.
Cheguei a escrever quatro artigos aqui visando explicar as bases de como eu entendo esse relativismo. São eles: "Texto Geral", "O Meio Ambiente Social na Formação das Crenças Religiosas", "Neurociência e como se formam os Valores Religiosos em nosso Cérebro" e "Consciência, Amor-Próprio, Fé, e Transcendência", mas percebi que deveria fazer este resumo. Mesmo assim o texto ficou grande revelando o quanto é mesmo complexo este assunto.
Não encontro nada relacionado a ele em sites brasileiros e noto, sem ser pretensioso, uma falta de compreensão por parte até daquelas pessoas acostumadas com os assuntos da neurociência, teoria da evolução e religiões, em conjunto.
Vejo fortes discussões em muitos sites da internet a respeito de dezenas, centenas de argumentos profundos a favor do cristianismo ou não, junto com as ciências ou não, mas, aqui, não se faz necessário compreender a fundo as crenças e os dogmas das religiões e sim os aspectos básicos de onde se fundamentam. Mas das ciências sim! Note que falo em religiões no plural pois este assunto não diz respeito somente ao cristianismo, como estamos acostumados a questioná-lo porque é predominante em nosso mundo ocidental, mas com todas, com qualquer uma das religiões presentes no mundo todo e em todas as épocas.
Então eu digo:
1 - Em nosso intelecto temos a capacidade da abstração e uma das suas propriedades é a transcendência (I), onde conseguimos imaginar que exista um ou mais planos, mundo (s), junto (s) ou afastado (s) de nós, interagindo ou não conosco, embora podemos não acreditar que exista (m).
2 - Nesse (s) mundo (s) conseguimos imaginar, mas não acreditarmos se quisermos, em um ou mais ente (s) divino (s), criador (es) do (s) nosso (s) universo (s) e responsável (is) por essas interações.
3 - Então, para uma pessoa, em termos gerais, de população, ela precisa primeiro ter a capacidade da transcendência para depois imaginar algum ou mais entes divinos. Estes três itens pertencem à função racional, lógica, do nosso cérebro, para os argumentos aqui, e, mesmo se houver sentimentos nesses processos, me preocuparei apenas e suficientemente com a racionalidade.
4 - Agora, nossos sentimentos e emoções existem para a nossa sobrevivência como espécie no planeta, sejam eles individuais ou sociais.
5 - Eles vêm de interações físico-químicas sendo funções, funções orgânicas que produzem sensações.
6 - O acreditar e a fé (II) são sentimentos, servem ao mesmo propósito do item 04, sendo duas sensações relacionadas entre si, possuindo uma diferença sutil entre elas. Uma pessoa pode acreditar em um (s) ente (s) divino (s) mas não ter, ou ter nele (s) pouca fé. A maioria das pessoas acredita e possui muita fé. Outros nem acreditam. Mas nós humanos, no mínimo, acreditamos em nós mesmos. Não fosse assim, nem levantaríamos da cama para lutarmos pelas nossas vidas.
7 - Qualquer ser no universo, dotado de sentimentos, emoções, inteligência e consciência, têm que possuir amor-próprio. Na verdade podemos pensar nele como uma extensão do instinto de sobrevivência dos outros animais, porque serve a um cérebro mais complexo, fazendo com que o ser humano não se destrua. Consciência de si como em nós humanos e amor-próprio andam juntas, como acredito para qualquer outro ser semelhante a nós.
8 - Então, que tipo de ser no universo, dotado de consciência e amor-próprio, mas sem a transcendência e do acreditar e da fé, não sucumbiria, devido a desequilíbrios emocionais, originados de questões profundas como as perguntas "de onde viemos, para onde vamos como espécie, qual o significado da vida, por que estamos aqui, e, a mais aterrorizante delas: o que existe e para onde vamos após a morte?". Afinal a consciência nos dá esta capacidade de questionamento e o amor-próprio, porque serve a nossa e a qualquer proteção própria, precisarão da transcendência e do acreditar e da fé para atribuir a entes divinos e todas as manifestações e realizações desses, para responder a essas questões e muitas outras, fora do controle de sua vida e da sua volta, em seu meio ambiente social e/ou natural. Não há outra saída...
9 - Mas veja, será então que a nossa mente/cérebro, possuiria a transcendência, o acreditar e a fé apenas como "amortecedores" naturais, nos enganando, pois não há o sobrenatural, para nos sentirmos aliviados de tantas questões cruciais? Acontece que aí entramos no campo da abstração, sentimentos e da poderosa evolução, onde, acredito eu, possuem poderes para tanto porque está em jogo a perpetuação da espécie humana na Terra.
10 - Mas o que são em essência, a abstração, a transcendência, o acreditar e a fé, senão interações físico-químicas originados da nossa atividade neural com a liberação ou não de substâncias químicas como hormônios e neurotransmissores?
Conclusão:
De (I) - transcendência e (II) - o acreditar e a fé, temos que qualquer cérebro, consciente de si e com amor-próprio, terá que possuir estas propriedades para sobreviver a despeito de muitos questionamentos importantes, decisivos, que o levaria a ficar doente, comprometendo também a sobrevivência do próprio corpo, que o possui junto a ele.
Assim, em todas as épocas e lugares, seres humanos criaram estórias, inventaram crenças, dogmas, tentaram explicar muitos fatos naturais ou do cotidiano com ideias sobrenaturais, etc., em que os conjuntos dessas ideias se tornaram seitas e/ou religiões. Algumas religiões obtiveram mais adeptos, algumas mais adeptos em outras épocas. Mas, a base do que eu escrevo é que todas dizem serem elas absolutas, e as outras, pagãs, erradas.
Na verdade tudo é relativo. Não há religião com verdades absolutas. A única verdade absoluta no ser humano é que essa capacidade de transcendência e do acreditar e ter fé foram selecionadas pela evolução para o sistema nervoso central não entrasse em colapso. O ser humano não sobreviveria, mal deixaria descendentes, etc., com um cérebro defeituoso, confuso e perturbado, com verdadeiros delírios acerca das questões mencionadas no item 08. Ele tem que jogar, colocar nas mãos de ente (s) divino (s), junto com a criação de outros valores religiosos em que acredita com muita fé, para se estabilizar emocionalmente. Sempre foi assim. É uma das faces mais importantes, talvez a mais, da condição humana.
Considerações:
A - Veja que coloco as palavras "ente", "divino" e "criador" em minúsculas porque faço referência a todos os deuses de todas as religiões, sendo cristãs ou não, monoteístas ou politeístas, etc., pois este artigo é de caráter geral.
B - Não incluo dogmas, conceitos, crenças, etc., de nenhuma religião em particular, pois, repito, sendo este artigo de caráter geral, digo apenas ente (s) divino (s) porque ele (s) é (são) o (s) "centro (s)" de todas elas.
Notas:
1 - (24/06/2013): Faz-se necessário uma observação importante sobre o fato de que a grande maioria das religiões acredita em um ou mais criador (es) do (s) universo (s) a nossa volta e também de nós mesmos.
Será coincidência ou os nossos cérebros foram realmente "projetados" por um ente divino, ou vários, para acreditarmos nele (s)? Existem e existiram muitas crenças e religiões para acreditar na segunda questão. Se não, todos os seres humanos em todas as épocas acreditariam em um só ente divino ou em vários deles, especificamente iguais! Quem projeta não faz para confundir.
E sobre a coincidência?
Melhor analisar a condição humana da época em que éramos caçadores-coletores até a formação das primeiras civilizações e entendermos muitos fatos que aconteciam no mundo todo. Coincidência seria simplificar demais.
Veja, os humanos começaram a fabricar utensílios, armas, objetos decorativos, etc., e o faziam com matéria-prima do solo, de galhos de árvores, etc., mas também questionavam certos fatos.
Darei dois exemplos. (A): uma fôrma de barro para armazenar água. Eles viam que esse objeto, avançadíssimo para a época e muito útil porque facilitava o uso direto da água, vinha de uma lama, de um local no chão, pertencente ao lugar onde estavam e, então, de onde veio esse local e tudo o mais em volta? Alguém fez o objeto. Mas alguém teria criado todo o resto. (B): uma lança de madeira de uma galho de árvore: também útil pois podiam caçar e abater animais grandes com mais facilidade. Mas eles notavam que as árvores cresciam do solo e que embora outras, maiores, parecessem não crescer, estavam fixas no solo. E de onde veio o solo? Tudo cria tudo, tudo provém de tudo e, óbvio, questionavam, todos os locais que conheciam vinham de algo ou alguém que os criara.
E as pedras tão úteis para rasgar couro, pele, carne, colocá-las nas pontas das lanças? Vinham de outras pedras ou do solo. Metais? De rochas com o uso do fogo oriundo do atrito de rochas especiais com folhas secas em que essas folhas eram de árvores e as rochas do solo, do chão.
Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... tudo! Quem criou tudo?!
Para mim é completamente natural pensar, supor que o ser humano vivia querendo respostas a respeito de tudo a sua frente, e, algo, era ainda mais perturbador: todas as pessoas vinham de uma mulher.... Mesmo antes de saberem da importante parceria do homem para se fazer um filho, de onde vinham as mulheres? De outras, que vieram de outras... E os homens vinham de mulheres. Alguém as fez lá no passado. Lógico que quando descobriram o valor do sêmem do homem, ainda ficava a questão: de onde vieram os dois? Alguém ou algo muito maior que eles teria feito, criado. Algo então poderoso, invisível porque realmente não viam nada, talvez criando o mundo também. Ou vários entes realizando cada um a sua obra.
Os caçadores-coletores conheciam as leis da física, da química, da biologia, o DNA, a reprodução, etc.? Então, nada mais coerente pensar que criaram muitas estórias que se tornaram crenças, seitas e religiões.
2 - (04/07/3013): Na primeira nota acima eu falo mais sobre a criação, de onde veio tudo que nos cerca e nós mesmos. Claro que religião não é só isto. Qualquer uma delas discorre sobre o bem e o mal e realmente estes dois conceitos são muito importantes, pertencentes as nossas vidas não só individuais como também sociais.
Mas considerarei, como gosto de fazer, a análise primeira, primordial, ao que se referem estas duas concepções do meio ambiente, natural ou social, influindo em todos os seres vivos incluindo a nós, os humanos, fazendo uma ressalva do também importante estímulo interno como as doenças, defeitos congênitos, etc. Veja, uma substância química tóxica conseguindo vencer a barreira que uma membrana celular impõe, sendo um organismo unicelular ou não, é um mal, da mesma maneira que um assaltante com uma arma apontando a você e querendo a sua carteira. Ambos são estímulos negativos do meio ambiente que os cercam: mudam-se os protagonistas, os meios ambientes, as formas em que o mal atua, etc., mas a ideia é a mesma.
Então, desde que o primeiro ser vivo apareceu na Terra, há mais ou menos 3,8 bilhões de anos, ele estava na condição ambiental e de si mesmo em receber estímulos negativos e positivos. Foi assim mesmo quando do aparecimento das plantas pluricelulares, animais pluricelulares e até nós. Na verdade somos indivíduos sociais como outros animais e também daí advém os estímulos positivos ou negativos do meio ambiente social. Nossa condição humana está, sempre esteve, a mercê desses estímulos e a evolução agiu em todos os seres com esse fato.
Indo além, se algum (ns) ente (s) divino (s) criou (aram) os primeiros homens e mulheres, ele (s) o (s) fez (izeram), no mínimo, por amor, com carinho e cuidado. Mas aqui entra uma questão difícil de ser solucionada e que as religiões explicaram com muitas ideias diferentes: como colocar homens e mulheres em um mundo com estímulos positivos mas... também negativos?. Quem realizaria tal absurdo, com pessoas vivendo suas alegrias, felicidades mas com muitos sofrimentos devidos a esses estímulos contrários, incluindo aqueles que os levariam à morte? Quem quer morrer? É aí que cada uma delas inventou uma maneira de explicar tamanha contradição.
No Gênese da Bíblia, o principal livro do cristianismo, Deus proibiu o homem e a mulher de comer do fruto da árvore proibida pois, caso contrário, seriam expulsos do paraíso de onde viviam. Eles experimentaram de uma fruta e pronto, eles e todos os descendentes passaram a viver com e sem dores, junto ao Bem e ao Mal em conjunto.
Para mim está claro a tentativa de explicação a posteriori de quem escreveu o Gênese, para, a partir de um Deus como a figura do Bem, se entender como as pessoas viviam em locais, meios ambientes, muito ao contrário de um paraíso...
As Bases de como eu Vejo o Relativismo Religioso
O assunto do Relativismo Religioso, no meu modo de pensar, é muito complexo e se faz necessário, primeiro, algo bem organizado, um esquema com declarações enumeradas, como tópicos, itens, sobre fatos científicos e ideias próprias, para um melhor entendimento do leitor.
Cheguei a escrever quatro artigos aqui visando explicar as bases de como eu entendo esse relativismo. São eles: "Texto Geral", "O Meio Ambiente Social na Formação das Crenças Religiosas", "Neurociência e como se formam os Valores Religiosos em nosso Cérebro" e "Consciência, Amor-Próprio, Fé, e Transcendência", mas percebi que deveria fazer este resumo. Mesmo assim o texto ficou grande revelando o quanto é mesmo complexo este assunto.
Não encontro nada relacionado a ele em sites brasileiros e noto, sem ser pretensioso, uma falta de compreensão por parte até daquelas pessoas acostumadas com os assuntos da neurociência, teoria da evolução e religiões, em conjunto.
Vejo fortes discussões em muitos sites da internet a respeito de dezenas, centenas de argumentos profundos a favor do cristianismo ou não, junto com as ciências ou não, mas, aqui, não se faz necessário compreender a fundo as crenças e os dogmas das religiões e sim os aspectos básicos de onde se fundamentam. Mas das ciências sim! Note que falo em religiões no plural pois este assunto não diz respeito somente ao cristianismo, como estamos acostumados a questioná-lo porque é predominante em nosso mundo ocidental, mas com todas, com qualquer uma das religiões presentes no mundo todo e em todas as épocas.
Então eu digo:
1 - Em nosso intelecto temos a capacidade da abstração e uma das suas propriedades é a transcendência (I), onde conseguimos imaginar que exista um ou mais planos, mundo (s), junto (s) ou afastado (s) de nós, interagindo ou não conosco, embora podemos não acreditar que exista (m).
2 - Nesse (s) mundo (s) conseguimos imaginar, mas não acreditarmos se quisermos, em um ou mais ente (s) divino (s), criador (es) do (s) nosso (s) universo (s) e responsável (is) por essas interações.
3 - Então, para uma pessoa, em termos gerais, de população, ela precisa primeiro ter a capacidade da transcendência para depois imaginar algum ou mais entes divinos. Estes três itens pertencem à função racional, lógica, do nosso cérebro, para os argumentos aqui, e, mesmo se houver sentimentos nesses processos, me preocuparei apenas e suficientemente com a racionalidade.
4 - Agora, nossos sentimentos e emoções existem para a nossa sobrevivência como espécie no planeta, sejam eles individuais ou sociais.
5 - Eles vêm de interações físico-químicas sendo funções, funções orgânicas que produzem sensações.
6 - O acreditar e a fé (II) são sentimentos, servem ao mesmo propósito do item 04, sendo duas sensações relacionadas entre si, possuindo uma diferença sutil entre elas. Uma pessoa pode acreditar em um (s) ente (s) divino (s) mas não ter, ou ter nele (s) pouca fé. A maioria das pessoas acredita e possui muita fé. Outros nem acreditam. Mas nós humanos, no mínimo, acreditamos em nós mesmos. Não fosse assim, nem levantaríamos da cama para lutarmos pelas nossas vidas.
7 - Qualquer ser no universo, dotado de sentimentos, emoções, inteligência e consciência, têm que possuir amor-próprio. Na verdade podemos pensar nele como uma extensão do instinto de sobrevivência dos outros animais, porque serve a um cérebro mais complexo, fazendo com que o ser humano não se destrua. Consciência de si como em nós humanos e amor-próprio andam juntas, como acredito para qualquer outro ser semelhante a nós.
8 - Então, que tipo de ser no universo, dotado de consciência e amor-próprio, mas sem a transcendência e do acreditar e da fé, não sucumbiria, devido a desequilíbrios emocionais, originados de questões profundas como as perguntas "de onde viemos, para onde vamos como espécie, qual o significado da vida, por que estamos aqui, e, a mais aterrorizante delas: o que existe e para onde vamos após a morte?". Afinal a consciência nos dá esta capacidade de questionamento e o amor-próprio, porque serve a nossa e a qualquer proteção própria, precisarão da transcendência e do acreditar e da fé para atribuir a entes divinos e todas as manifestações e realizações desses, para responder a essas questões e muitas outras, fora do controle de sua vida e da sua volta, em seu meio ambiente social e/ou natural. Não há outra saída...
9 - Mas veja, será então que a nossa mente/cérebro, possuiria a transcendência, o acreditar e a fé apenas como "amortecedores" naturais, nos enganando, pois não há o sobrenatural, para nos sentirmos aliviados de tantas questões cruciais? Acontece que aí entramos no campo da abstração, sentimentos e da poderosa evolução, onde, acredito eu, possuem poderes para tanto porque está em jogo a perpetuação da espécie humana na Terra.
10 - Mas o que são em essência, a abstração, a transcendência, o acreditar e a fé, senão interações físico-químicas originados da nossa atividade neural com a liberação ou não de substâncias químicas como hormônios e neurotransmissores?
Conclusão:
De (I) - transcendência e (II) - o acreditar e a fé, temos que qualquer cérebro, consciente de si e com amor-próprio, terá que possuir estas propriedades para sobreviver a despeito de muitos questionamentos importantes, decisivos, que o levaria a ficar doente, comprometendo também a sobrevivência do próprio corpo, que o possui junto a ele.
Assim, em todas as épocas e lugares, seres humanos criaram estórias, inventaram crenças, dogmas, tentaram explicar muitos fatos naturais ou do cotidiano com ideias sobrenaturais, etc., em que os conjuntos dessas ideias se tornaram seitas e/ou religiões. Algumas religiões obtiveram mais adeptos, algumas mais adeptos em outras épocas. Mas, a base do que eu escrevo é que todas dizem serem elas absolutas, e as outras, pagãs, erradas.
Na verdade tudo é relativo. Não há religião com verdades absolutas. A única verdade absoluta no ser humano é que essa capacidade de transcendência e do acreditar e ter fé foram selecionadas pela evolução para o sistema nervoso central não entrasse em colapso. O ser humano não sobreviveria, mal deixaria descendentes, etc., com um cérebro defeituoso, confuso e perturbado, com verdadeiros delírios acerca das questões mencionadas no item 08. Ele tem que jogar, colocar nas mãos de ente (s) divino (s), junto com a criação de outros valores religiosos em que acredita com muita fé, para se estabilizar emocionalmente. Sempre foi assim. É uma das faces mais importantes, talvez a mais, da condição humana.
Considerações:
A - Veja que coloco as palavras "ente", "divino" e "criador" em minúsculas porque faço referência a todos os deuses de todas as religiões, sendo cristãs ou não, monoteístas ou politeístas, etc., pois este artigo é de caráter geral.
B - Não incluo dogmas, conceitos, crenças, etc., de nenhuma religião em particular, pois, repito, sendo este artigo de caráter geral, digo apenas ente (s) divino (s) porque ele (s) é (são) o (s) "centro (s)" de todas elas.
Notas:
1 - (24/06/2013): Faz-se necessário uma observação importante sobre o fato de que a grande maioria das religiões acredita em um ou mais criador (es) do (s) universo (s) a nossa volta e também de nós mesmos.
Será coincidência ou os nossos cérebros foram realmente "projetados" por um ente divino, ou vários, para acreditarmos nele (s)? Existem e existiram muitas crenças e religiões para acreditar na segunda questão. Se não, todos os seres humanos em todas as épocas acreditariam em um só ente divino ou em vários deles, especificamente iguais! Quem projeta não faz para confundir.
E sobre a coincidência?
Melhor analisar a condição humana da época em que éramos caçadores-coletores até a formação das primeiras civilizações e entendermos muitos fatos que aconteciam no mundo todo. Coincidência seria simplificar demais.
Veja, os humanos começaram a fabricar utensílios, armas, objetos decorativos, etc., e o faziam com matéria-prima do solo, de galhos de árvores, etc., mas também questionavam certos fatos.
Darei dois exemplos. (A): uma fôrma de barro para armazenar água. Eles viam que esse objeto, avançadíssimo para a época e muito útil porque facilitava o uso direto da água, vinha de uma lama, de um local no chão, pertencente ao lugar onde estavam e, então, de onde veio esse local e tudo o mais em volta? Alguém fez o objeto. Mas alguém teria criado todo o resto. (B): uma lança de madeira de uma galho de árvore: também útil pois podiam caçar e abater animais grandes com mais facilidade. Mas eles notavam que as árvores cresciam do solo e que embora outras, maiores, parecessem não crescer, estavam fixas no solo. E de onde veio o solo? Tudo cria tudo, tudo provém de tudo e, óbvio, questionavam, todos os locais que conheciam vinham de algo ou alguém que os criara.
E as pedras tão úteis para rasgar couro, pele, carne, colocá-las nas pontas das lanças? Vinham de outras pedras ou do solo. Metais? De rochas com o uso do fogo oriundo do atrito de rochas especiais com folhas secas em que essas folhas eram de árvores e as rochas do solo, do chão.
Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... tudo! Quem criou tudo?!
Para mim é completamente natural pensar, supor que o ser humano vivia querendo respostas a respeito de tudo a sua frente, e, algo, era ainda mais perturbador: todas as pessoas vinham de uma mulher.... Mesmo antes de saberem da importante parceria do homem para se fazer um filho, de onde vinham as mulheres? De outras, que vieram de outras... E os homens vinham de mulheres. Alguém as fez lá no passado. Lógico que quando descobriram o valor do sêmem do homem, ainda ficava a questão: de onde vieram os dois? Alguém ou algo muito maior que eles teria feito, criado. Algo então poderoso, invisível porque realmente não viam nada, talvez criando o mundo também. Ou vários entes realizando cada um a sua obra.
Os caçadores-coletores conheciam as leis da física, da química, da biologia, o DNA, a reprodução, etc.? Então, nada mais coerente pensar que criaram muitas estórias que se tornaram crenças, seitas e religiões.
2 - (04/07/3013): Na primeira nota acima eu falo mais sobre a criação, de onde veio tudo que nos cerca e nós mesmos. Claro que religião não é só isto. Qualquer uma delas discorre sobre o bem e o mal e realmente estes dois conceitos são muito importantes, pertencentes as nossas vidas não só individuais como também sociais.
Mas considerarei, como gosto de fazer, a análise primeira, primordial, ao que se referem estas duas concepções do meio ambiente, natural ou social, influindo em todos os seres vivos incluindo a nós, os humanos, fazendo uma ressalva do também importante estímulo interno como as doenças, defeitos congênitos, etc. Veja, uma substância química tóxica conseguindo vencer a barreira que uma membrana celular impõe, sendo um organismo unicelular ou não, é um mal, da mesma maneira que um assaltante com uma arma apontando a você e querendo a sua carteira. Ambos são estímulos negativos do meio ambiente que os cercam: mudam-se os protagonistas, os meios ambientes, as formas em que o mal atua, etc., mas a ideia é a mesma.
Então, desde que o primeiro ser vivo apareceu na Terra, há mais ou menos 3,8 bilhões de anos, ele estava na condição ambiental e de si mesmo em receber estímulos negativos e positivos. Foi assim mesmo quando do aparecimento das plantas pluricelulares, animais pluricelulares e até nós. Na verdade somos indivíduos sociais como outros animais e também daí advém os estímulos positivos ou negativos do meio ambiente social. Nossa condição humana está, sempre esteve, a mercê desses estímulos e a evolução agiu em todos os seres com esse fato.
Indo além, se algum (ns) ente (s) divino (s) criou (aram) os primeiros homens e mulheres, ele (s) o (s) fez (izeram), no mínimo, por amor, com carinho e cuidado. Mas aqui entra uma questão difícil de ser solucionada e que as religiões explicaram com muitas ideias diferentes: como colocar homens e mulheres em um mundo com estímulos positivos mas... também negativos?. Quem realizaria tal absurdo, com pessoas vivendo suas alegrias, felicidades mas com muitos sofrimentos devidos a esses estímulos contrários, incluindo aqueles que os levariam à morte? Quem quer morrer? É aí que cada uma delas inventou uma maneira de explicar tamanha contradição.
No Gênese da Bíblia, o principal livro do cristianismo, Deus proibiu o homem e a mulher de comer do fruto da árvore proibida pois, caso contrário, seriam expulsos do paraíso de onde viviam. Eles experimentaram de uma fruta e pronto, eles e todos os descendentes passaram a viver com e sem dores, junto ao Bem e ao Mal em conjunto.
Para mim está claro a tentativa de explicação a posteriori de quem escreveu o Gênese, para, a partir de um Deus como a figura do Bem, se entender como as pessoas viviam em locais, meios ambientes, muito ao contrário de um paraíso...
:::::
Carl Sagan e o relativismo religioso como eu o vejo
Carl Edward Sagan (09/11/1934 - 20/12/1996) foi astrônomo, astrofísico, antropólogo, biólogo, astrobiólogo e escritor estadunidense, responsável por muitos livros de divulgação científica, talvez o maior deles junto a Isaac Asimov, e que contribuiu com as missões espaciais das sondas Pioner, Mariner, Viking, Voyager e Galileo, recebendo medalhas condecorativas pela Nasa.
É dele e de alguns colaboradores, nas missões Pioner 10 e 11, respectivamente lançadas em 1972 e 1973, a concepção de uma placa revelando a figura de um homem e de uma mulher, representando a espécie humana com a nossa posição em relação a uma estrela, o Sol, se caso essa pequena nave-robô for interceptada por seres extraterrestres. Hoje a Pioneer 10 está na constelação de Touro, por volta de 12-13 bilhões de km de nós, e as fontes radiativas para emissões eletromagnéticas com informações do cosmo já estão fracas demais para chegarem até aqui.
Em 1977, Sagan ganhou o Prêmio Pulitzer pelo livro "Os Dragões do Éden", uma obra tão avançada que reunia antropologia, paleoantropologia, evolução, ciências da computação e neurociência para entendermos a evolução do nosso cérebro.
Foi também responsável pela série de TV "Cosmos", baseada em livro de mesmo nome e que se tornou o maior best-seller de divulgação científica da língua inglesa.
Lecionou em Harvard e na universidade de Cornell. Cético, racionalista por excelência, Carl Sagan se declarou certa vez como agnóstico, e escreveu também sobre ciência e religião relacionadas.
O livro "Variedade da Experiência Científica" - Uma Visão Pessoal na busca por Deus, é uma edição feita em 2008, pela sua última mulher, Ann Druyan, de nove palestras em que ele participou nas famosas Gifford Lectures - Palestras Gifford -, na Escócia. São encontros onde o tema é a teologia natural, um modo de se estudar a teologia não por experiências ou revelações místicas, mas sim pela razão e a experimentação.
No capítulo seis, "A Hipótese da existência de Deus", ele questiona certos aspectos racionais da existência ou não de Deus e foi aí que eu, ao ler esse capítulo, me deparei com ideias dele que tem a ver com o que escrevo sobre o relativismo religioso.
Então transcrevo abaixo, nas palavras dele, evidentemente, uma pequena parte do capítulo, onde marco frases e faço uma analogia com as minhas exposições sobre o assunto em diversos textos meus.
"[...] É grande a variedade de coisas em que as pessoas acreditam. Religiões diferentes acreditam em coisas diferentes. É uma caixinha de surpresas de alternativas religiosas (1). E claramente existem mais combinações de alternativas do que religiões, embora existam hoje alguns milhares de religiões no planeta. Na história do mundo, existiram provavelmente dezenas, talvez centenas de milhares, se pensarmos nos ancestrais coletores-caçadores, quando uma comunidade humana típica tinha cerca de cem pessoas. Naquela época havia tantas religiões quantos fossem os bandos de caçadores-coletores, embora as diferenças entre eles provavelmente não fossem tão grandes assim. Mas ninguém sabe, pois, infelizmente, não temos praticamente nenhum conhecimento sobre em que acreditavam nossos ancestrais na maior parte da história da humanidade neste planeta, porque a tradição do boca a boca não é a mais adequada, e a escrita não tinha sido inventada.
Assim, considerando essa variedade de alternativas, uma coisa que me vem à mente é como é impressionante que, quando alguém tem uma experiência religiosa que provoca sua conversão, é sempre para a religião ou para uma das religiões mais comuns em sua própria comunidade. Há tantas possibilidades... Por exemplo, é muito raro no Ocidente que alguém tenha uma experiência religiosa que leve à conversão para uma religião em que a principal divindade tenha cabeça de elefante e seja pintada de azul. Raro mesmo. Mas na Índia existe um deus azul de cabeça de elefante que tem muitos devotos (2). E não é tão raro assim ver imagens desse deus. Como é possível que a aparição de deuses-elefantes se restrinja à Índia e só aconteça em lugares onde haja forte tradição indiana? Por que as aparições da Virgem Maria são comuns no Ocidente, mas raramente ocorrem em lugares do Oriente onde não há tradição cristã pronunciada? Por que os detalhes da crença religiosa não ultrapassam as barreiras culturais? É difícil de explicar, a menos que os detalhes sejam totalmente determinados pela cultura local e não tenham nada a ver com algo de validade externa.
Em outras palavras, qualquer predisposição preexistente à crença religiosa pode sofrer poderosa influência da cultura local, não importa onde a pessoa tenha crescido. E, especialmente se as crianças forem expostas desde cedo a um conjunto específico de doutrinas, músicas, artes e rituais, a coisa fica tão natural quanto respirar, e é por isso que as religiões se empenham tanto em atrair os muitos jovens. (3) [...]".
Meus comentários:
1 - Aqui está algo que todas as pessoas sabem. Mas neste blog, "O Relativismo Religioso - Como Eu o Vejo", (http://orealtivismodasreligioes.blogspot.com.br), precisamente no meu artigo "O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto", publicado em 19/03/2007, eu digo, logo nos primeiros quatro parágrafos, de uma circularidade patética se pessoas do Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo e Budismo, falassem, e sem precisar de detalhes, a cada uma delas de cada vez, sobre como são as crenças básicas de si próprias. Um cristão para um islâmico, deste para um hindu, deste para um budista e este chegando ao cristão. Imagine então se falassem de detalhes: ritos, dogmas e crenças.
O meio ambiente social cristão ensina aos seus filhos no que acreditarem e no que é certo e errado. E assim é com todos de todas as religiões, destas citadas por mim, de outras pelo planeta e aquelas que já não existem mais. Sempre foi assim e sempre será.
O Deus cristão, o deus islâmico Alá, os muitos deuses do hinduísmo e a concepção mais filosófica do universo segundo o budismo são todos diferentes entre si e cada uma destas religiões julgam serem as suas verdades como absolutas e, as outras, pagãs, erradas. E há uma certa confusão entre o cristianismo e o islamismo, dizendo se tratar de Alá e Deus como sendo o mesmo. Alá enviou mensagens ao profeta Maomé, através do anjo Gabriel, para que o livro sagrado, o Corão, fosse escrito. Já Deus é Pai de Cristo, sendo este o messias do cristianismo, e, para o Islã, Cristo é apenas um profeta em nível terreno, humano. Não se trata de um mesmo deus não.
2 - Imagine se um cristão, aqui no Ocidente, dissesse que uma divindade aparecera para ele revelando como deveria agir, com a sua vida atual, conturbada por perdas materiais de extrema importância. Imagine então se ele a descrevesse como sendo uma cabeça de elefante e azul! Vamos ser sinceros? Vamos ser verdadeiros? Seriam só risadas, não é mesmo? O chamariam de louco, mentiroso ou ridículo. Aliás, todas as ditas aparições de santos, divindades, etc., que ouvimos falar desde as nossas infâncias, são de entidades cujas características são aquelas em que aprendemos em nosso meio ambiente social, ligadas ao cristianismo. Ou seja, aparecem só aquilo que aprendemos.
Aí está um grande exemplo de como as pessoas julgam o que acreditam, pois assim aprenderam, serem verdades absolutas mas, se pensarmos melhor, são relativas, são de origens locais, ou, no máximo, que vieram de longe mas obteve adeptos o suficiente para se perpetuarem no meio ambiente social delas.
Eu trato deste assunto em praticamente todos os artigos neste blog. Tenho até dois, em especial, que se chamam "Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro" e "O meio ambiente social na formação das crenças religiosas", sem falar no meu texto principal, o início do blog, "Texto Introdutório: as bases de como eu vejo o Relativismo Religioso".
3 - Carl Sagan usa sabiamente a expressão "a coisa fica tão natural quanto respirar" para dizer da influência dos valores religiosos se forem ensinados às crianças, desde muito cedo, em seus meios ambientes sociais.
No meu texto "Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro", eu digo: "Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns [desses valores] podem mudar ou não, podem se intensificar, etc.". Até falo em uma maneira natural que acontece com todos nós em nossos meios, mas, imagine então se as crianças também estiverem sob uma educação religiosa com professores, com pessoas capacitadas para o ensino da religião local.
A força da educação, da cultura local é muito poderosa. Ela atrai, influencia, muda comportamentos, porque ninguém nasce com a religião de sua cultura na cabeça. Não é como, por exemplo, o instinto de sobrevivência, que é nato.
Sagan foi muito corajoso em dizer "... é por isso que as religiões se empenham tanto em atrair os muitos jovens". Elas sabem da importância da educação religiosa para as crianças, tanto é que ele fala no trecho: "a coisa fica tão natural quanto respirar". Ou seja, com a cabeça "feita", está "feita" para sempre! Exceções não contam pois são raríssimas. Falo de populações.
Bibliografia:
SAGAN, Carl. Variedades da experiência científica: uma visão pessoal da busca por Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 171-172.
:::::
Consciência, Amor-Próprio, Fé e Transcendência
"Proposta: este artigo tem como objetivo explicar cientificamente por que existe o sentimento de fé e por que nós, seres humanos, temos a capacidade, através do nosso cérebro, de transcendermos a matéria e a energia comuns, em pensamento e imaginação, sem que necessariamente acreditemos em entes divinos e/ou espirituais em outro (s) 'plano' (s). Na verdade, conseguimos imaginar que existe outro mundo, outra realidade, além deste nosso mundo físico e onde estariam supostos seres espirituais e/ou sobrenaturais. Mas seria só imaginação."
Todos os nossos sentimentos existem para que a espécie humana não seja extinta aqui na Terra. E existe uma base sólida de conhecimentos atuais, da Neurociência com A Teoria da Evolução, para se fazer uma afirmação destas. Ver os meus artigos "O Porquê dos Nossos Sentimentos" ( http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html * ) e "O Porquê dos Nossos Sentimentos - II" ( http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html ** ).
No reino animal existe o instinto de sobrevivência, o instinto de auto-preservação, em que os animais respondem a alguma agressão do meio ambiente ou de outros animais, para sobreviverem. As primeiras formas de vida na Terra, seres unicelulares, por volta de 3,8 bilhões de anos, já apresentavam alguma forma de reação de auto-preservação. Por exemplo, ao detectarem uma fonte de calor e se movimentarem no sentido oposto daquele do aumento da temperatura, já era um fator de sobrevivência. A crescente complexidade, no tempo, dos seres vivos, exigia cada vez mais comportamentos complexos para lidarem com meios ambientes novos ou em transformação. E assim fez-se necessário também o aparecimento de um sistema nervoso evolutivo conforme as necessidades e adaptações dos organismos.
Podemos pensar o seguinte: de seres unicelulares até os mais complexos da atualidade, nós, os humanos, a natureza produziu, de simples atos reflexos para reações de sobrevivência, que são comportamentos, até o sistema nervoso mais complexo que existe para dotar-nos da maior variabilidade de comportamentos possíveis para a nossa sobrevivência. Nosso sistema nervoso é portador do órgão mais complexo que existe, com os mecanismos superiores da inteligência, emoções, sentimentos e a consciência: o nosso cérebro.
Nossa variedade de comportamentos através da inteligência, produzida pelo cérebro, nos faz adaptarmos a qualquer ambiente terrestre, porque, inclusive, construímos tecnologia para tanto (no caso de lugares de frio ou calor intensos). E a consciência entra nessa história como uma grande "contribuição" à inteligência pois muito do que pensamos e agimos possui a marca constante do "eu". Como eu disse no blog "Neurociência e Consciência" - www.neuconblog.blogspot.com.br -, "Nós a utilizamos sempre: (eu) farei isto; (eu) não quis realizar tal tarefa; ((eu) preferi fazer outra); (eu) quero ir àquele lugar etc.".
O neurocientista português António Damásio defende a tese de que a consciência vem de "um sentir", um sentimento mas de um conhecimento, como eu explico também no blog do parágrafo acima. Em três livros, "O Mistério da Consciência", "E o Cérebro Criou o Homem" e "O Livro da Consciência", Damásio argumenta essa tese baseado em mais de trinta anos de estudos e pesquisas em laboratórios, sendo, atualmente, a maior autoridade no assunto. De qualquer maneira existe algo de racional na consciência porque o sistema, o cérebro, volta-se a si mesmo, reconhece e pensa sobre si próprio e sobre o corpo ao qual pertence.
Mas será que para o cérebro humano, um órgão tão avançado como ele é, produtor de tanta variedade em termos comportamentais, bastariam apenas alguns mecanismos de defesa, de auto-preservação, agressividade - que a essa altura já é uma emoção -, por exemplo, para preservar a espécie que o contém? Na minha opinião não. Foi necessário algo muito mais refinado, avançado também: o amor-próprio. Ele seria o ápice de um sistema necessitado de conservação, proteção etc., ou seja, tudo o que é ligado ao corpo e a ele mesmo para sobreviver.
E a fé que falo no título deste blog?
Existe uma confusão muito grande com respeito à fé e às crenças. As pessoas acham só existe a fé se houver crenças, mas alguém pode não possuir crenças e ter fé, fé em si mesmo, no próprio potencial, na vida etc. A fé é um sentimento poderoso pois é o acreditar, o acreditar em nossas possibilidades etc.
Agora veja, as religiões são um conjunto de ideias e crenças, surgidas em um local específico no planeta - uma região, um povo etc. -, e que são ensinadas às crianças desde cedo. Há variações em interpretações das ideias, das próprias crenças com o passar do tempo, há divisões, há expansões para outros povos etc.; e você sabe, seriam necessárias bibliotecas e mais bibliotecas gigantescas para conter tudo o que o ser humano criou neste sentido. Mas algo é certo: os sentimentos das pessoas são "canalizados", por falta de uma palavra melhor, para as crenças das suas religiões locais e essas crenças se tornam verdades absolutas para cada uma das pessoas. Elas passam a ter fé nos entes e nos ensinamentos dessas religiões.
Mas por qual razão surgiram as ideias e crenças de cada povo?
E aqui está o verdadeiro motivo deste artigo. Precisei discorrer sobre amor-próprio, consciência e fé para chegar onde eu queria.
Como um ser inteligente, consciente de si e do mundo a sua volta, e dotado de amor próprio, iria lidar com questões existenciais profundas como: de onde viemos, porque estamos aqui, de onde veio tudo o que vemos e sentimos, e, para onde vamos?
Imagine o seguinte cenário: pré-humanos vendo pré-humanos nascerem e morrerem. Cresciam mas poderiam morrer a qualquer hora. Para onde iriam? O que aconteceria depois?
Que angústia seria acometida a nossa espécie sendo que o próprio amor por si mesmo corroboraria com a não aceitação desse fato? Que conflitos e perturbações internas surgiriam dentro da maquinaria cerebral desses seres? E estou simplificando porque o número de sentimentos e emoções em situações dessas seria muito grande. Acredito que o cérebro não funcionaria direito.
Na minha opinião, desde que o cérebro dos pré-humanos se tornou o mais próximo do nosso, ele teria que ter, na combinação de consciência e amor-próprio, a fé e o poder de transcendência, de conseguir abstrair entes divinos, formular crenças, de conceber uma "vida após a morte" etc., com, a propriedade de ter fé neles, de acreditar com uma grande dose de carga emocional. A consciência e o amor-próprio talvez iriam causar um impasse à evolução do nosso cérebro e que fora resolvida com o aparecimento da fé e da transcendência.
Falar em uma moderna Teoria da Evolução é acrescentar também as vantagens que a racionalidade e os sentimentos proporcionaram ao cérebro, a nós humanos. Raciocínio, dedução, indução, estratégia, abstração, lógica etc., no campo da racionalidade, já são difíceis de explicar aos leigos do porquê de suas existências conforme a Teoria da Evolução; imagine então sentimentos e sentimentos profundos como o amor-próprio e a fé.
O biólogo russo Theodosius Dobzhansnky (1900/1975) disse certa vez com muita propriedade, como um dos maiores biólogos do século XX, a frase: “Nada em biologia faz sentido senão sob a luz da evolução”. E o cérebro é uma máquina biológica, um órgão biológico.
Todos os nossos sentimentos existem para que a espécie humana não seja extinta aqui na Terra. E existe uma base sólida de conhecimentos atuais, da Neurociência com A Teoria da Evolução, para se fazer uma afirmação destas. Ver os meus artigos "O Porquê dos Nossos Sentimentos" ( http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html * ) e "O Porquê dos Nossos Sentimentos - II" ( http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html ** ).
No reino animal existe o instinto de sobrevivência, o instinto de auto-preservação, em que os animais respondem a alguma agressão do meio ambiente ou de outros animais, para sobreviverem. As primeiras formas de vida na Terra, seres unicelulares, por volta de 3,8 bilhões de anos, já apresentavam alguma forma de reação de auto-preservação. Por exemplo, ao detectarem uma fonte de calor e se movimentarem no sentido oposto daquele do aumento da temperatura, já era um fator de sobrevivência. A crescente complexidade, no tempo, dos seres vivos, exigia cada vez mais comportamentos complexos para lidarem com meios ambientes novos ou em transformação. E assim fez-se necessário também o aparecimento de um sistema nervoso evolutivo conforme as necessidades e adaptações dos organismos.
Podemos pensar o seguinte: de seres unicelulares até os mais complexos da atualidade, nós, os humanos, a natureza produziu, de simples atos reflexos para reações de sobrevivência, que são comportamentos, até o sistema nervoso mais complexo que existe para dotar-nos da maior variabilidade de comportamentos possíveis para a nossa sobrevivência. Nosso sistema nervoso é portador do órgão mais complexo que existe, com os mecanismos superiores da inteligência, emoções, sentimentos e a consciência: o nosso cérebro.
Nossa variedade de comportamentos através da inteligência, produzida pelo cérebro, nos faz adaptarmos a qualquer ambiente terrestre, porque, inclusive, construímos tecnologia para tanto (no caso de lugares de frio ou calor intensos). E a consciência entra nessa história como uma grande "contribuição" à inteligência pois muito do que pensamos e agimos possui a marca constante do "eu". Como eu disse no blog "Neurociência e Consciência" - www.neuconblog.blogspot.com.br -, "Nós a utilizamos sempre: (eu) farei isto; (eu) não quis realizar tal tarefa; ((eu) preferi fazer outra); (eu) quero ir àquele lugar etc.".
O neurocientista português António Damásio defende a tese de que a consciência vem de "um sentir", um sentimento mas de um conhecimento, como eu explico também no blog do parágrafo acima. Em três livros, "O Mistério da Consciência", "E o Cérebro Criou o Homem" e "O Livro da Consciência", Damásio argumenta essa tese baseado em mais de trinta anos de estudos e pesquisas em laboratórios, sendo, atualmente, a maior autoridade no assunto. De qualquer maneira existe algo de racional na consciência porque o sistema, o cérebro, volta-se a si mesmo, reconhece e pensa sobre si próprio e sobre o corpo ao qual pertence.
Mas será que para o cérebro humano, um órgão tão avançado como ele é, produtor de tanta variedade em termos comportamentais, bastariam apenas alguns mecanismos de defesa, de auto-preservação, agressividade - que a essa altura já é uma emoção -, por exemplo, para preservar a espécie que o contém? Na minha opinião não. Foi necessário algo muito mais refinado, avançado também: o amor-próprio. Ele seria o ápice de um sistema necessitado de conservação, proteção etc., ou seja, tudo o que é ligado ao corpo e a ele mesmo para sobreviver.
E a fé que falo no título deste blog?
Existe uma confusão muito grande com respeito à fé e às crenças. As pessoas acham só existe a fé se houver crenças, mas alguém pode não possuir crenças e ter fé, fé em si mesmo, no próprio potencial, na vida etc. A fé é um sentimento poderoso pois é o acreditar, o acreditar em nossas possibilidades etc.
Agora veja, as religiões são um conjunto de ideias e crenças, surgidas em um local específico no planeta - uma região, um povo etc. -, e que são ensinadas às crianças desde cedo. Há variações em interpretações das ideias, das próprias crenças com o passar do tempo, há divisões, há expansões para outros povos etc.; e você sabe, seriam necessárias bibliotecas e mais bibliotecas gigantescas para conter tudo o que o ser humano criou neste sentido. Mas algo é certo: os sentimentos das pessoas são "canalizados", por falta de uma palavra melhor, para as crenças das suas religiões locais e essas crenças se tornam verdades absolutas para cada uma das pessoas. Elas passam a ter fé nos entes e nos ensinamentos dessas religiões.
Mas por qual razão surgiram as ideias e crenças de cada povo?
E aqui está o verdadeiro motivo deste artigo. Precisei discorrer sobre amor-próprio, consciência e fé para chegar onde eu queria.
Como um ser inteligente, consciente de si e do mundo a sua volta, e dotado de amor próprio, iria lidar com questões existenciais profundas como: de onde viemos, porque estamos aqui, de onde veio tudo o que vemos e sentimos, e, para onde vamos?
Imagine o seguinte cenário: pré-humanos vendo pré-humanos nascerem e morrerem. Cresciam mas poderiam morrer a qualquer hora. Para onde iriam? O que aconteceria depois?
Que angústia seria acometida a nossa espécie sendo que o próprio amor por si mesmo corroboraria com a não aceitação desse fato? Que conflitos e perturbações internas surgiriam dentro da maquinaria cerebral desses seres? E estou simplificando porque o número de sentimentos e emoções em situações dessas seria muito grande. Acredito que o cérebro não funcionaria direito.
Na minha opinião, desde que o cérebro dos pré-humanos se tornou o mais próximo do nosso, ele teria que ter, na combinação de consciência e amor-próprio, a fé e o poder de transcendência, de conseguir abstrair entes divinos, formular crenças, de conceber uma "vida após a morte" etc., com, a propriedade de ter fé neles, de acreditar com uma grande dose de carga emocional. A consciência e o amor-próprio talvez iriam causar um impasse à evolução do nosso cérebro e que fora resolvida com o aparecimento da fé e da transcendência.
Falar em uma moderna Teoria da Evolução é acrescentar também as vantagens que a racionalidade e os sentimentos proporcionaram ao cérebro, a nós humanos. Raciocínio, dedução, indução, estratégia, abstração, lógica etc., no campo da racionalidade, já são difíceis de explicar aos leigos do porquê de suas existências conforme a Teoria da Evolução; imagine então sentimentos e sentimentos profundos como o amor-próprio e a fé.
O biólogo russo Theodosius Dobzhansnky (1900/1975) disse certa vez com muita propriedade, como um dos maiores biólogos do século XX, a frase: “Nada em biologia faz sentido senão sob a luz da evolução”. E o cérebro é uma máquina biológica, um órgão biológico.
- - - - -
** In english: http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2_i.html
* e ** também disponíveis em http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/
- - - - -
Outros artigos relacionados com este texto em:
"O Relativismo Religioso" - Como eu o Vejo" - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/
"Neurociência e Consciência" - http://neuconblog.blogspot.com.br/
"Sistema, Evolução e Neurociência - http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/
"Uma Finalização a Respeito dos Meus Artigos Anteriores" - http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/
"Psicologia Evolutiva - Uma Visão Básica Sobre o Assunto" - http://psicoevolutiv.blogspot.com.br/
"Neurociência, Psicologia Evolutiva e Religiões" - http://nepsicoreli.blogspot.com.br/
:::::
Texto Geral
Este texto inicial é um resumo do que eu digo em todos os artigos deste blog. Defendo as seguintes ideias: cada religião toma para si as suas crenças como verdades absolutas, desprezando as crenças das outras e ainda as chamando de pagãs. Isto é fato. O meio ambiente social do indivíduo é quem irá influir nas crenças de cada um. Por exemplo: ninguém nasce com o deus cristão na cabeça, Alá, o deus muçulmano, os muitos deuses do hinduísmo, xintoísmo etc.
Mas o que existe de absoluto mesmo é a capacidade de nós humanos em acreditarmos, possuirmos fé, e, por quê? Veja, ninguém sobreviveria sem acreditar em algo superior que os formou, que criou o universo, a fauna e a flora do planeta, o que existe após a morte etc. Seríamos acometidos de um vazio existencial a colapsar nossas mentes com angústias, ansiedades, depressões etc.
Mas, e os descrentes? Bem, eles acreditam em si próprios! Possuem fé mas não crenças. Sem esse sentimento eles não buscariam objetivos, nada valeria a pena, ou seja, suas mentes e suas vidas não resistiriam.
Esse acreditar e a fé, natural de nós, humanos, vêm do próprio funcionamento cerebral do sistema límbico (emoções, sentimentos) e do córtex (a parte racional), se não o sistema mais complexo que existe, o cérebro, não iria funcionar direito. Eles foram adquiridos por nós através da evolução para que a nossa mente não entrasse em colapso significando a sobrevivência da própria espécie. É o transceder, em "pensamentos", do nosso mundo material, incluindo sentimentos.
Uma criança vêm ao mundo com o cérebro limpo de informações e da cultura do seu país de nascença. Esse meio ambiente, incluindo além dos pais e escolas, irá ensinar o que existe de sobrenatural, para ela exercer a sua religião que é a mesma de todos ali. Claro que ela poderá um dia mudar de crenças mas mesmo assim ela levará ainda muito do que aprendeu na infância e adolescência para o resto da vida.
Todos os povos que já existiram inventaram religiões e crenças desde que o ser humano fora dotado de inteligência, consciência e de um lado sentimental-emocional. Por volta de 60.000 como está no livro "Da Natureza Humana", de Edward O. Wilson. Este autor cita o medo da morte e o que vem depois como uma das principais causas de se inventar tantas religiões. Podemos falar também em questões como: o que fazemos em nosso mundo, qual o significado de nossas vidas, existe uma única razão para estarmos aqui? Se os seres humanos não possuírem a capacidade de "invocarem" as respostas dessas questões a algo superior, suas mentes entrariam em colapso.
Mas o que existe de absoluto mesmo é a capacidade de nós humanos em acreditarmos, possuirmos fé, e, por quê? Veja, ninguém sobreviveria sem acreditar em algo superior que os formou, que criou o universo, a fauna e a flora do planeta, o que existe após a morte etc. Seríamos acometidos de um vazio existencial a colapsar nossas mentes com angústias, ansiedades, depressões etc.
Mas, e os descrentes? Bem, eles acreditam em si próprios! Possuem fé mas não crenças. Sem esse sentimento eles não buscariam objetivos, nada valeria a pena, ou seja, suas mentes e suas vidas não resistiriam.
Esse acreditar e a fé, natural de nós, humanos, vêm do próprio funcionamento cerebral do sistema límbico (emoções, sentimentos) e do córtex (a parte racional), se não o sistema mais complexo que existe, o cérebro, não iria funcionar direito. Eles foram adquiridos por nós através da evolução para que a nossa mente não entrasse em colapso significando a sobrevivência da própria espécie. É o transceder, em "pensamentos", do nosso mundo material, incluindo sentimentos.
Uma criança vêm ao mundo com o cérebro limpo de informações e da cultura do seu país de nascença. Esse meio ambiente, incluindo além dos pais e escolas, irá ensinar o que existe de sobrenatural, para ela exercer a sua religião que é a mesma de todos ali. Claro que ela poderá um dia mudar de crenças mas mesmo assim ela levará ainda muito do que aprendeu na infância e adolescência para o resto da vida.
Todos os povos que já existiram inventaram religiões e crenças desde que o ser humano fora dotado de inteligência, consciência e de um lado sentimental-emocional. Por volta de 60.000 como está no livro "Da Natureza Humana", de Edward O. Wilson. Este autor cita o medo da morte e o que vem depois como uma das principais causas de se inventar tantas religiões. Podemos falar também em questões como: o que fazemos em nosso mundo, qual o significado de nossas vidas, existe uma única razão para estarmos aqui? Se os seres humanos não possuírem a capacidade de "invocarem" as respostas dessas questões a algo superior, suas mentes entrariam em colapso.
In english: www.relativismreligions.blogspot.com
Textos:
- www.sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com ;
- www.finalizacaoargos.blogspot.com ;
- www.nepsicoreli.blogspot.com .
:::::
Como se formam os valores religiosos em nosso cérebro
Um valor se forma quando uma ou mais informações, chegando à sua mente, são memorizadas e têm a capacidade de, quando estimulada por algum fato futuro qualquer, gerar um sentimento que o levará a agir. É uma memória de emoção, em relação a algo material ou abstrato pelo qual nós seres humanos temos consideração, apreço, sentimento.
Simples assim? Não! Por trás de uma frase desta existe mais ciência do que você possa imaginar. Existem centenas de anos de pesquisas e descobrimentos, cientistas dando suas vidas pela verdade e nem sempre tendo sucesso, mas, não entrarei no assunto da história da ciência.
Quero esclarecer neste artigo algo que sempre digo nos textos deste blog mas que não expliquei usando os conceitos acima: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditarem nos valores religiosos". Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas, etc., enfim, seu meio ambiente social. E por esses valores as pessoas se unem, fazem bem ao próximo, mas, também se matam!
Como é possível comportamentos tão antagônicos? Não é tão simples responder mas entra aí a intolerância com os valores das outras religiões, o fato de cada uma achar os seus valores absolutos, de serem verdades absolutas e competirem diretamente uma com as outras de forma muitas vezes desastrosa. Ainda que no Brasil existe muita tolerância, reconhecida por outros países, lá fora é muito diferente.
Em meu texto "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos", digo da diferença de dois irmãos criados separadamente em meios sociais diversos onde as suas religiões são diferentes. Estranharão as crenças um do outro, os valores religiosos.
Veja, educados em culturas onde as informações que recebem não são iguais, formarão muitos valores incompatíveis entre si. E é aí que entrarão em conflito se não houver tolerância. No texto falo, sendo um cristão e outro muçulmano... O cristão: "Deus é pai de Cristo e (que) este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existe ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, nem citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!".
Receberam informações diferentes que, memorizadas, possuem a capacidade de gerarem ações diferentes ou, no mínimo, com muita incompatibilidade pois os sentimentos são diferentes. E nem preciso dizer o quanto os sentimentos são poderosos em nossas vidas.
Mas no primeiro parágrafo temos conceitos científicos relacionados com "valor". São eles: informação, mente, memória e sentimento. Estes conceitos foram um a um compreendidos pela neurociência como manifestações das atividades neurônicas em nosso cérebro que descrevo aqui:
1 - Informação: os neurônios transmitem informações entre eles sendo as unidades básicas no cérebro responsáveis por esse fenômeno. E esse fenômeno já é conhecido há muito tempo desde a década de, pasmem, 1890, quando o neuroanatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) descreveu o que se chama de "a teoria do neurônio", a teoria da organização neural, com quatro princípios:
1a. Existe uma célula, que Cajal chamou de neurônio, que é a unidade de sinalização elementar do sistema nervoso;
2a. O prolongamento de um neurônio, o axônio (transmissão), se comunica com os dendritos (recepção) de outros neurônios em uma região chamada fenda sináptica. Mais tarde os cientistas descobriram que o impulso só passa de um neurônio para outro com a presença de substâncias químicas, os neurotransmissores, se acumulando nessa região que é vazia, fenômeno esse conhecido como sinapse;
3a. Um neurônio se comunicará somente com células específicas e não com outras;
4a. Dentro de um neurônio o sinal viaja somente em uma direção e sentido. Com isto é possível rastrear como o sinal se comunica com as outras células nervosas.
Feito isto, Cajal, recebendo o Nobel de 1906 de fisiologia ou medicina, estabeleceu as bases do funcionamento cerebral em termos simples que são os neurônios.
2 - Memória: existe uma base química para a memória descoberta pelo cientista americano Eric R. Kandel, Nobel de fisiologia ou medicina em 2000, em que ele brilhantemente explica no livro "Em Busca da Memória" (ver bibliografia abaixo).
Existe a memória de curto prazo e a memória de longo prazo, onde a primeira é um fortalecimento das sinapses com uma maior liberação de neurotransmissores. Já na segunda acontecem dois fenômenos: substâncias estimulando um gene do neurônio a produzir novos prolongamentos do axônio para mais sinapses e também se aumentando a produção de neurotransmissores do que na memória de curto prazo. Uma observação tem que ser feita aqui: nas duas ocorrem interações de diversas substâncias químicas impossível de descrevê-las em um texto pequeno como este.
3 - Sentimento: sensação devido a estímulo (s) externo (s) ou interno (s) fazendo com que haja ou não a liberação de neurotransmissores em neurônios de diversas áreas cerebrais em conjunto, ocorrendo ou não a liberação de hormônios e/ou neurotransmissores pelo nosso corpo. É bom salientar que nós percebemos uma sensação ou um sentimento não só em nossos cérebros mas também pelo corpo. Por exemplo, o alívio de uma angústia com o alívio de uma sensação ruim em nosso peito acompanhada do desaparecimento também de pensamentos negativos. Quando você está feliz, sua mente está equilibrada no sentido de pensamentos positivos acompanhada de uma ótima sensação pelo corpo devido às substâncias químicas nele liberadas.
4 - Mente: estado produzido pelo funcionamento de várias regiões do cérebro. Cuidado com a palavra "estado"; ela se aplica a (quase) todos os ramos da ciência mas é estudada de forma geral na Teoria dos Sistemas e em Sistemas Complexos. Uma definição para o leigo seria a de como o sistema, em nosso caso as várias regiões cerebrais, subsistemas do cérebro, estão produzindo a nossa mente, de como ele está no momento. Você está concentrado em uma tarefa? Está pensando em como realizar aquela viagem na próxima semana? Preocupado com o aluguel? Veja que a mente é algo muito dinâmico pois enquanto você pensa em algo, seus olhos podem reparar um carro na rua enquanto seus ouvidos estão captando um barulho de uma reforma em um prédio que te perturba.
O eminente neurocientista português António R. Damásio diz em seu livro, "E o Cérebro Criou o Homem", que a mente não é só produzida inteiramente no córtex cerebral, a porção mais recente do cérebro evolutivamente falando, responsável principalmente pela nossa lógica, o raciocínio lógico e extenso que nos difere dos outros animais.
Damásio fala também do tronco cerebral, de suas duas divisões, o núcleo do trato solitário e o núcleo parabraquial, e o terceiro seria o colículo superior como produtores da mente. Ele é a maior autoridade mundial no assunto de sentimentos, emoções e consciência no momento, tendo escrito vários livros sobre estes assuntos.
Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns podem mudar ou não, podem se intensificar, etc.
Padres da igreja católica não casam; bispos evangélicos, cristãos como os padres, casam. Você coloca santos em sua sala mas para outros cristãos isto é absolutamente inadmissível. Mulheres islâmicas escondem todo o corpo nas "burkas" enquanto no Brasil se mostra quase tudo do corpo. Valores... Islâmicos rezam em direção e sentido à cidade de Meca e os cristãos rezam em qualquer lugar. Hindus e xintoístas adoram muitos deuses e os cristãos a só um. Valores...
Mas o que mais interessa aqui é como esses valores se formam em nossos cérebros.
Dei explicações em parágrafos anteriores de como entender quatro fatos científicos. São eles: informação, mente, memória e sentimento. Então como se forma um valor a partir destes fatos neurocientíficos?
Agora entra um conceito da Teoria dos Sistemas e da Ciência da Complexidade um tanto difícil de se explicar ao leigo, o de propriedades emergentes.
Dois ou mais fenômenos juntos produzem outro que, sozinhos, os primeiros, não conseguiriam realizar. É como ver o novo fenômeno de um plano acima, olhando para aqueles embaixo que o forma.
Darei um exemplo simples: um próton possui características, propriedades como carga e massa. Carga positiva sendo o elétron com garga negativa e uma massa muito menor que a do próton. O nêutron possui massa, quase igual a do próton, mas sem carga. Agora imagine uma quantidade infindável deles em um recipiente. Talvez se comportarão como um gás mas, se eles, por algum motivo, se configurarem em átomos de hidrogênio e oxigênio, terão a propriedade emergente de formarem água, com todas as propriedades físico-químicas dela! Veja que a propriedade emergente - a de formar água - só apareceu depois que eles se reuniram de maneira especial. Essa maneira especial não é deixar as partículas livremente no recipiente pois sozinhos, livres ao acaso, não teriam essa propriedade para chegarem a água.
Então, quando eu disse as quatro primeiras palavras deste artigo, "um valor se forma", eu estava me referindo a isto mas precisei explicar aqueles quatro fatos, informação, mente, memória e sentimento, para até chegar aqui. O valor pode ser considerado como uma propriedade emergente das interações físico-químicas, dos neurônios, em regiões específicas do cérebro.
O valor, seja ele qual for, inclusive o religioso, não precisa de uma alma ou espírito, ou de um deus para existir. Digo deus em "d" minúsculo pois me refiro aos deuses de todas as seitas e religiões que o ser humano inventou. Afinal, matéria e energia comuns já estavam presentes em todas as formas de vida que, em algumas delas, chegaram até nós.
Simples assim? Não! Por trás de uma frase desta existe mais ciência do que você possa imaginar. Existem centenas de anos de pesquisas e descobrimentos, cientistas dando suas vidas pela verdade e nem sempre tendo sucesso, mas, não entrarei no assunto da história da ciência.
Quero esclarecer neste artigo algo que sempre digo nos textos deste blog mas que não expliquei usando os conceitos acima: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditarem nos valores religiosos". Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas, etc., enfim, seu meio ambiente social. E por esses valores as pessoas se unem, fazem bem ao próximo, mas, também se matam!
Como é possível comportamentos tão antagônicos? Não é tão simples responder mas entra aí a intolerância com os valores das outras religiões, o fato de cada uma achar os seus valores absolutos, de serem verdades absolutas e competirem diretamente uma com as outras de forma muitas vezes desastrosa. Ainda que no Brasil existe muita tolerância, reconhecida por outros países, lá fora é muito diferente.
Em meu texto "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos", digo da diferença de dois irmãos criados separadamente em meios sociais diversos onde as suas religiões são diferentes. Estranharão as crenças um do outro, os valores religiosos.
Veja, educados em culturas onde as informações que recebem não são iguais, formarão muitos valores incompatíveis entre si. E é aí que entrarão em conflito se não houver tolerância. No texto falo, sendo um cristão e outro muçulmano... O cristão: "Deus é pai de Cristo e (que) este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existe ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, nem citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!".
Receberam informações diferentes que, memorizadas, possuem a capacidade de gerarem ações diferentes ou, no mínimo, com muita incompatibilidade pois os sentimentos são diferentes. E nem preciso dizer o quanto os sentimentos são poderosos em nossas vidas.
Mas no primeiro parágrafo temos conceitos científicos relacionados com "valor". São eles: informação, mente, memória e sentimento. Estes conceitos foram um a um compreendidos pela neurociência como manifestações das atividades neurônicas em nosso cérebro que descrevo aqui:
1 - Informação: os neurônios transmitem informações entre eles sendo as unidades básicas no cérebro responsáveis por esse fenômeno. E esse fenômeno já é conhecido há muito tempo desde a década de, pasmem, 1890, quando o neuroanatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) descreveu o que se chama de "a teoria do neurônio", a teoria da organização neural, com quatro princípios:
1a. Existe uma célula, que Cajal chamou de neurônio, que é a unidade de sinalização elementar do sistema nervoso;
2a. O prolongamento de um neurônio, o axônio (transmissão), se comunica com os dendritos (recepção) de outros neurônios em uma região chamada fenda sináptica. Mais tarde os cientistas descobriram que o impulso só passa de um neurônio para outro com a presença de substâncias químicas, os neurotransmissores, se acumulando nessa região que é vazia, fenômeno esse conhecido como sinapse;
3a. Um neurônio se comunicará somente com células específicas e não com outras;
4a. Dentro de um neurônio o sinal viaja somente em uma direção e sentido. Com isto é possível rastrear como o sinal se comunica com as outras células nervosas.
Feito isto, Cajal, recebendo o Nobel de 1906 de fisiologia ou medicina, estabeleceu as bases do funcionamento cerebral em termos simples que são os neurônios.
2 - Memória: existe uma base química para a memória descoberta pelo cientista americano Eric R. Kandel, Nobel de fisiologia ou medicina em 2000, em que ele brilhantemente explica no livro "Em Busca da Memória" (ver bibliografia abaixo).
Existe a memória de curto prazo e a memória de longo prazo, onde a primeira é um fortalecimento das sinapses com uma maior liberação de neurotransmissores. Já na segunda acontecem dois fenômenos: substâncias estimulando um gene do neurônio a produzir novos prolongamentos do axônio para mais sinapses e também se aumentando a produção de neurotransmissores do que na memória de curto prazo. Uma observação tem que ser feita aqui: nas duas ocorrem interações de diversas substâncias químicas impossível de descrevê-las em um texto pequeno como este.
3 - Sentimento: sensação devido a estímulo (s) externo (s) ou interno (s) fazendo com que haja ou não a liberação de neurotransmissores em neurônios de diversas áreas cerebrais em conjunto, ocorrendo ou não a liberação de hormônios e/ou neurotransmissores pelo nosso corpo. É bom salientar que nós percebemos uma sensação ou um sentimento não só em nossos cérebros mas também pelo corpo. Por exemplo, o alívio de uma angústia com o alívio de uma sensação ruim em nosso peito acompanhada do desaparecimento também de pensamentos negativos. Quando você está feliz, sua mente está equilibrada no sentido de pensamentos positivos acompanhada de uma ótima sensação pelo corpo devido às substâncias químicas nele liberadas.
4 - Mente: estado produzido pelo funcionamento de várias regiões do cérebro. Cuidado com a palavra "estado"; ela se aplica a (quase) todos os ramos da ciência mas é estudada de forma geral na Teoria dos Sistemas e em Sistemas Complexos. Uma definição para o leigo seria a de como o sistema, em nosso caso as várias regiões cerebrais, subsistemas do cérebro, estão produzindo a nossa mente, de como ele está no momento. Você está concentrado em uma tarefa? Está pensando em como realizar aquela viagem na próxima semana? Preocupado com o aluguel? Veja que a mente é algo muito dinâmico pois enquanto você pensa em algo, seus olhos podem reparar um carro na rua enquanto seus ouvidos estão captando um barulho de uma reforma em um prédio que te perturba.
O eminente neurocientista português António R. Damásio diz em seu livro, "E o Cérebro Criou o Homem", que a mente não é só produzida inteiramente no córtex cerebral, a porção mais recente do cérebro evolutivamente falando, responsável principalmente pela nossa lógica, o raciocínio lógico e extenso que nos difere dos outros animais.
Damásio fala também do tronco cerebral, de suas duas divisões, o núcleo do trato solitário e o núcleo parabraquial, e o terceiro seria o colículo superior como produtores da mente. Ele é a maior autoridade mundial no assunto de sentimentos, emoções e consciência no momento, tendo escrito vários livros sobre estes assuntos.
Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns podem mudar ou não, podem se intensificar, etc.
Padres da igreja católica não casam; bispos evangélicos, cristãos como os padres, casam. Você coloca santos em sua sala mas para outros cristãos isto é absolutamente inadmissível. Mulheres islâmicas escondem todo o corpo nas "burkas" enquanto no Brasil se mostra quase tudo do corpo. Valores... Islâmicos rezam em direção e sentido à cidade de Meca e os cristãos rezam em qualquer lugar. Hindus e xintoístas adoram muitos deuses e os cristãos a só um. Valores...
Mas o que mais interessa aqui é como esses valores se formam em nossos cérebros.
Dei explicações em parágrafos anteriores de como entender quatro fatos científicos. São eles: informação, mente, memória e sentimento. Então como se forma um valor a partir destes fatos neurocientíficos?
Agora entra um conceito da Teoria dos Sistemas e da Ciência da Complexidade um tanto difícil de se explicar ao leigo, o de propriedades emergentes.
Dois ou mais fenômenos juntos produzem outro que, sozinhos, os primeiros, não conseguiriam realizar. É como ver o novo fenômeno de um plano acima, olhando para aqueles embaixo que o forma.
Darei um exemplo simples: um próton possui características, propriedades como carga e massa. Carga positiva sendo o elétron com garga negativa e uma massa muito menor que a do próton. O nêutron possui massa, quase igual a do próton, mas sem carga. Agora imagine uma quantidade infindável deles em um recipiente. Talvez se comportarão como um gás mas, se eles, por algum motivo, se configurarem em átomos de hidrogênio e oxigênio, terão a propriedade emergente de formarem água, com todas as propriedades físico-químicas dela! Veja que a propriedade emergente - a de formar água - só apareceu depois que eles se reuniram de maneira especial. Essa maneira especial não é deixar as partículas livremente no recipiente pois sozinhos, livres ao acaso, não teriam essa propriedade para chegarem a água.
Então, quando eu disse as quatro primeiras palavras deste artigo, "um valor se forma", eu estava me referindo a isto mas precisei explicar aqueles quatro fatos, informação, mente, memória e sentimento, para até chegar aqui. O valor pode ser considerado como uma propriedade emergente das interações físico-químicas, dos neurônios, em regiões específicas do cérebro.
O valor, seja ele qual for, inclusive o religioso, não precisa de uma alma ou espírito, ou de um deus para existir. Digo deus em "d" minúsculo pois me refiro aos deuses de todas as seitas e religiões que o ser humano inventou. Afinal, matéria e energia comuns já estavam presentes em todas as formas de vida que, em algumas delas, chegaram até nós.
Bibliografia:
- Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer ao meu amigo Antonio Mendes de Oliveira Castro (antonio@oliveiracastro.com) pelas colaborações diretas, via e-mail, nas principais ideias - além do capítulo do livro abaixo -, deste texto, que estão relacionadas com a definição de valor junto com informação e sentimento.
- CASTRO, A. M. O. Sentindo e agindo. In: Um novo homem para um novo milênio. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999.
- DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 439 p.
- KANDEL, Eric R. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. pp. 76-84.
:::::
O meio ambiente social na formação das crenças religiosas
Este artigo é um complemento necessário para todos aqueles presentes neste blog. Ele é de sentido geral no que diz respeito ao saber sobre, além do meio ambiente natural, sobre o meio social, que forma indivíduos, valores, regras de comportamentos, caráter, personalidade e, ao que mais interessa aqui, a formação das crenças religiosas nas pessoas.
Em meu artigo "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos", neste blog, eu cheguei brevemente a entrar no assunto mas senti a necessidade de um texto voltado só a este tema.
A grande maioria das pessoas não sabe como é de verdade a Teoria da Evolução e seus mecanismos. No exemplo simples de se falar em mudanças no meio ambiente com seleção natural dos mais aptos já complica tudo. Imagine então falarmos no cérebro, na evolução do sistema nervoso. Fica ainda mais difícil falar que todos os nossos sentimentos foram criados e moldados pela evolução¹, e a fé, por ser um deles, é a força de base das crenças onde estas são relativas, dependem de onde as pessoas nasceram, cresceram, tiveram as suas educações e formação das suas personalidades.
Então, primeiro temos a fé, o acreditar, como sentimentos "brutos". Conforme crescemos vamos aprendendo com os nossos pais, amigos, escolas, a igreja, enfim, o nosso meio ambiente social, sobre valores religiosos. Pessoas que nasceram no Brasil em famílias cristãs-católicas e aprenderam, como a maioria dos amigos, parentes etc., sobre Deus, Cristo, a Bíblia, a redenção, os Dez Mandamentos, etc., passarão, de uma hora para a outra, a crer e terem fé em valores de outras religiões, nelas mesmas e algumas politeístas como o hinduísmo? Não! Veja, algumas pessoas até mudam de religião mas aí podemos falar em um fato estatístico: os 2,3 bilhões de cristãos no mundo se tornarão hindus de uma hora para outra? E os 1,2 bilhões de hindus se tornarão cristãos? Falo no número total de seguidores ou na grande maioria e, por isto, exceções, pouca gente, não se leva em consideração pois são casos isolados.
Aí vem outra questão: pessoas cristãs, que foram ou que são felizes por praticarem o cristianismo, poderão ser consideradas somente elas realizadas espiritualmente?² Não! Da mesma forma, pessoas hinduístas, e não só elas, mas também islâmicos, budistas, xintoístas, etc., poderão ser consideradas somente elas felizes e realizadas espiritualmente? Não! E cada uma dessas religiões considera as próprias verdades como absolutas, como digo no texto introdutório deste blog, e, sobre as outras, as chamam de pagãs, mesmo se houver respeito entre elas.
Mas veja, cada pessoa dessas religiões, cresceu em um meio ambiente social em que aprendeu as verdades da religião local de forma absoluta como eu disse no terceiro parágrafo... Os sentimentos delas foram direcionados, canalizados a aceitarem, respeitarem, a acreditarem no que essas religiões passaram em forma de ritos, informações, conceitos, dogmas, etc., ou seja, em toda uma forma de educação religiosa. E quando digo sentimentos direcionados, quero dizer o seguinte: primeiro você ensina a uma criança sobre a religião (a sua local, claro), as crenças, as "verdades", etc. Depois ela, acreditando e confiando nesses ensinamentos, passa a ter fé no que aprendeu; segue a religião local com devoção, veneração.
E as primeiras crenças dessas religiões que cito neste texto de onde vieram? Da eterna busca do ser humano por respostas sem soluções imediatas até hoje: quem criou tudo a nossa volta?, quem somos nós?, para onde vamos após a morte?, há vida depois da morte?, etc. Isto tudo em todo o mundo e em todas as épocas. Não é à toa que já se registraram mais de sessenta mil religiões e seitas em nossa história pelo planeta. E qual seria o meio ambiente social quando dessas primeiras crenças? Havia algum? Qual (is) seria (m)?
Sim, havia; eram nossos antepassados que passaram da época de caçadores-coletores, grupos de pessoas, a tribos e depois para algo mais parecido com a estrutura das cidades de hoje. Eles também se perguntavam, filosofavam e formulavam respostas sobre essas questões existenciais. Mas não era só isto: a moral, a ética, regras, etc., tomavam corpo junto com as crenças. O que não são "Os Dez Mandamentos" como também algo para se tentar viver mehor em sociedade? "Não roubarás, não matarás...". Há cerca de sessenta mil de anos atrás, o ser humano já se preocupava com o "além-morte", como mostram registros arqueológicos de um funeral do homem de neanderthal. Se se preocupavam em realizar funerais é porque também meditavam sobre outras questões de suas existências.
A odisseia do homem no planeta veio acompanhada de tentativas de respostas a essas questões profundas desde o dia em que ele mesmo tomou consciência de si próprio e do mundo a sua volta. Quem sou eu, o que faço aqui e o que é tudo isto ao meu redor, quem é o outro, certamente deu início a tudo o que viria depois: crenças, religiões, a ética, a moral, as regras de comportamento, etc.
Somos, em grande parte, fruto do meio em que vivemos. Meio ambiente social.
Em meu artigo "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos", neste blog, eu cheguei brevemente a entrar no assunto mas senti a necessidade de um texto voltado só a este tema.
A grande maioria das pessoas não sabe como é de verdade a Teoria da Evolução e seus mecanismos. No exemplo simples de se falar em mudanças no meio ambiente com seleção natural dos mais aptos já complica tudo. Imagine então falarmos no cérebro, na evolução do sistema nervoso. Fica ainda mais difícil falar que todos os nossos sentimentos foram criados e moldados pela evolução¹, e a fé, por ser um deles, é a força de base das crenças onde estas são relativas, dependem de onde as pessoas nasceram, cresceram, tiveram as suas educações e formação das suas personalidades.
Então, primeiro temos a fé, o acreditar, como sentimentos "brutos". Conforme crescemos vamos aprendendo com os nossos pais, amigos, escolas, a igreja, enfim, o nosso meio ambiente social, sobre valores religiosos. Pessoas que nasceram no Brasil em famílias cristãs-católicas e aprenderam, como a maioria dos amigos, parentes etc., sobre Deus, Cristo, a Bíblia, a redenção, os Dez Mandamentos, etc., passarão, de uma hora para a outra, a crer e terem fé em valores de outras religiões, nelas mesmas e algumas politeístas como o hinduísmo? Não! Veja, algumas pessoas até mudam de religião mas aí podemos falar em um fato estatístico: os 2,3 bilhões de cristãos no mundo se tornarão hindus de uma hora para outra? E os 1,2 bilhões de hindus se tornarão cristãos? Falo no número total de seguidores ou na grande maioria e, por isto, exceções, pouca gente, não se leva em consideração pois são casos isolados.
Aí vem outra questão: pessoas cristãs, que foram ou que são felizes por praticarem o cristianismo, poderão ser consideradas somente elas realizadas espiritualmente?² Não! Da mesma forma, pessoas hinduístas, e não só elas, mas também islâmicos, budistas, xintoístas, etc., poderão ser consideradas somente elas felizes e realizadas espiritualmente? Não! E cada uma dessas religiões considera as próprias verdades como absolutas, como digo no texto introdutório deste blog, e, sobre as outras, as chamam de pagãs, mesmo se houver respeito entre elas.
Mas veja, cada pessoa dessas religiões, cresceu em um meio ambiente social em que aprendeu as verdades da religião local de forma absoluta como eu disse no terceiro parágrafo... Os sentimentos delas foram direcionados, canalizados a aceitarem, respeitarem, a acreditarem no que essas religiões passaram em forma de ritos, informações, conceitos, dogmas, etc., ou seja, em toda uma forma de educação religiosa. E quando digo sentimentos direcionados, quero dizer o seguinte: primeiro você ensina a uma criança sobre a religião (a sua local, claro), as crenças, as "verdades", etc. Depois ela, acreditando e confiando nesses ensinamentos, passa a ter fé no que aprendeu; segue a religião local com devoção, veneração.
E as primeiras crenças dessas religiões que cito neste texto de onde vieram? Da eterna busca do ser humano por respostas sem soluções imediatas até hoje: quem criou tudo a nossa volta?, quem somos nós?, para onde vamos após a morte?, há vida depois da morte?, etc. Isto tudo em todo o mundo e em todas as épocas. Não é à toa que já se registraram mais de sessenta mil religiões e seitas em nossa história pelo planeta. E qual seria o meio ambiente social quando dessas primeiras crenças? Havia algum? Qual (is) seria (m)?
Sim, havia; eram nossos antepassados que passaram da época de caçadores-coletores, grupos de pessoas, a tribos e depois para algo mais parecido com a estrutura das cidades de hoje. Eles também se perguntavam, filosofavam e formulavam respostas sobre essas questões existenciais. Mas não era só isto: a moral, a ética, regras, etc., tomavam corpo junto com as crenças. O que não são "Os Dez Mandamentos" como também algo para se tentar viver mehor em sociedade? "Não roubarás, não matarás...". Há cerca de sessenta mil de anos atrás, o ser humano já se preocupava com o "além-morte", como mostram registros arqueológicos de um funeral do homem de neanderthal. Se se preocupavam em realizar funerais é porque também meditavam sobre outras questões de suas existências.
A odisseia do homem no planeta veio acompanhada de tentativas de respostas a essas questões profundas desde o dia em que ele mesmo tomou consciência de si próprio e do mundo a sua volta. Quem sou eu, o que faço aqui e o que é tudo isto ao meu redor, quem é o outro, certamente deu início a tudo o que viria depois: crenças, religiões, a ética, a moral, as regras de comportamento, etc.
Somos, em grande parte, fruto do meio em que vivemos. Meio ambiente social.
- - - - -
1 - Ver os meus artigos na revista eletrônica "Cérebro&Mente" - "Brain&Mind" - www.cerebromente.org.br -, de neurocientistas da UNICAMP - Campinas - Estado de São Paulo - Brasil:
- "O Porquê dos nossos Sentimentos" - http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html
- "O Porquê dos nossos Sentimentos - II" - http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html.
Estes artigos estão também em http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/.
2 - Neste texto digo "espiritualmente" mas, na realidade, é tudo psicológico, emocional, fenômenos estudados pela Psicologia, Psiquiatria e a Neurociência.
:::::
O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos
A idéia deste artigo eu já tinha faz tempo mas um fato corroborou para que eu o escrevesse. O assunto para mim é algo corriqueiro mas eu não imaginava uma coisa: pessoas com nível superior, mesmo possuindo o hábito da leitura, cultas, podem se enganarem a respeito de como os dogmas ou os ensinamentos das religiões, elas próprias, se processam em suas mentes. O fato fora a frase "é genético", como se você, por ter sido filho de pais católicos, por exemplo, nascera católico, ainda que tivera de aprender muitos detalhes dessa religião.
Esta frase foi proferida em um círculo de amigos onde a maioria das pessoas, estávamos em oito, pareceram não terem entendido não somente a frase mas não sabiam de onde vieram suas crenças, suas verdades religiosas, seus valores religiosos e aqueles secundários, terciários, ou mais, oriundos dos primeiros. Sim, "não roubarás" está nos Dez Mandamentos da nossa Bíblia e temos este valor como um dos principais em nosso meio. A partir daí procuramos cultivar valores como o hábito de passar às crianças, mesmo não tendo relações de parentesco com elas, quando as vimos brincando com algum objeto que, pela inocência delas, são capazes de levar o objeto pois ainda não possuem juízos de valores.
Mas, será que nascemos já com a religião dos nossos pais, do nosso meio social que é o nosso meio ambiente, de amigos e pessoas desconhecidas que às vezes nos falaram sobre assuntos pertinentes a ela? A resposta é: claro que não!
Uma criança indiana de seis anos de idade aprende que o nome dos três deuses criadores e destruidores do universo são Brahma, Vishnu e Shiva. Ela não registrará esta informação em seus genes e sim na memória. Não irá passar para seus descendentes essa informação a menos que... ensine a eles! E aqui está o ponto de máxima deste artigo: a educação e a formação baseadas em condições culturais é que levam às pessoas a formarem suas idéias, valores, verdades, dúvidas, crenças etc., a respeito de suas religiões.
Uma criança católica que aprende aos sete anos o valor de sua presença em uma missa, da igreja de seu bairro, transmitirá essa informação com seus sentimentos aos filhos de maneira genética? Não! Terá que ensina-los!
Podemos pensar em uma experiência sem que, por mais curiosos que sejamos, não a colocaríamos em prática devido às que questões humanas e éticas, morais e legais nela implicada: dois gêmeos são separados ao nascerem. Um é levado a um país muçulmano e outro ficaria no Brasil. Seriam criados por famílias diferentes, em contextos sociais diferentes. Após uns trinta anos se encontrariam.
Sem realizar essa experiência, sabemos que um estranhará a religião do outro. O brasileiro dirá que Deus é pai de Cristo e que este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existe ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, nem citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!
Quem está certo? Cada um dirá que está certo. E quem muda este estado de coisas? Ninguém... Os gêmeos não se entenderiam, poderiam se respeitarem já que são irmãos etc. Muitas são as situações possíveis decorrentes de uma situação desta. Mas um fato é certo: abalar as crenças tanto de um como as do outro seria quase impossível. Digo quase pois um cristão pode se converter em muçulmano e vice-versa, mas o que vemos por aí é uma indiferença quase que total de pessoas religiosas quanto às crenças de outra religião.
Vejamos um fato: ao lembrar da minha infância, logo quando comecei a tomar consciência do mundo, depois dos quatro anos, vejo em memória eu e meus pais entrando na principal igreja católica da cidade. Eu admirava aqueles santos nas paredes e minha mãe dizia algo sobre a história deles, simplificadamente claro, pois eu era muito criança. Aquele lugar fora o ambiente mais bonito que eu já havia conhecido. E aprendi que aquele tipo de local era de adoração e respeito a tudo relacionado a ele.
Me lembro das festas natalinas. Qual criança não gosta de presentes? Qual criança não gosta das comidas típicas dessas datas? Mas aprendia sobre o dia vinte e cinco de dezembro como o dia em que Cristo viera ao mundo. O mesmo Cristo com seus pais em forma escultural na igreja, com outros santos em histórias relacionadas a ele etc.
Mas a minha vida naquela época, como a vida de todos os meus amigos não era só de Natal e igreja. Pais de amigos contando sobre a criação divina, amigos mais velhos dizendo de particularidades da Bíblia, mesmo que incompletas ou um pouco distorcidas, pois eram crianças também, sujeitas a erros... Professores, os amigos da escola, as pessoas nas ruas, todos se referindo a um contexto complexo e "absoluto" a me informar, educar, ensinar e a respeitar os fatos do cristianismo.
Meu cérebro, como de todas as crianças estavam em desenvolvimento. Isto quer dizer que, de uma massa bruta, não lapidada, o nosso meio ambiente influía decisivamente na formação do nosso caráter, da nossa personalidade, ambos influenciados pelo cristianismo de forma direta e absolutamente inquestionável.
Não eram somente as histórias, ensinamentos e fatos das vidas daquelas pessoas maravilhosas ilustradas em revistas, livros, na igreja ou em conversas das pessoas sobre a nossa religião que estavam em jogo. Nossos valores, nossas concepções de como é este mundo, o certo e o errado provenientes das interpretações e frases diretas do nosso Livro Sagrado, a Bíblia, leis cívicas em consonância com a realidade espiritual em que vivíamos, tudo eram influências a moldarem nossas cabeças. "Não roubarás, Não matarás...". Não serão todas essas influências uma forte carga emocional para nós, desde as primeiras idades, a marcarem nossas vidas e condutas perante às pessoas e a nossa sociedade? Claro que sim! Não há dúvidas sobre isto.
Tenho conversado com muitas pessoas religiosas sobre este tema. Digo "religiosas" e o leitor já deve ter percebido que estarei mencionando pessoas praticando suas religiões. O católico freqüentando suas missas, rezando, orando, tendo um ou várias entidades - "santos" - especiais etc. O evangélico também sempre presente em cultos, contribuindo com o dízimo para com a sua igreja, lendo e / ou estudando o Novo Testamento etc.
Posso dizer algo importante e surpreendente sobre essas conversas: todos sem exceção admitem as "verdades" de suas crenças como absolutas, suas religiões como as corretas, desprezando, ficando indiferente quando digo das "verdades" das outras. Chegam essas conversas a serem motivos de discussões acaloradas quando eu teimo em dizer da relatividade das religiões, tema este sempre abordado por mim em meus artigos em vários blogs. Digo neles que cada pessoa toma para si como absoluta a sua religião e despreza as crenças das outras. Isto mostra claramente que elas não são absolutas. Suas "verdades" são relativas, dependem de onde as pessoas cresceram, a cultura local, religião local etc. Leia o meu artigo "O Relativismo das Religiões e o que Existe por trás Disto", neste blog. O que é absoluto é a capacidade do ser humano em crer, sentir algo sobrenatural, ter fé somente em si mesmo, como é o caso dos ateus. Esta capacidade, e acredito nisto, veio da Evolução sobre os seres humanos como uma vantagem para a perpetuação da espécie no planeta como está no artigo mencionado.
Em experiências com budistas e freiras franciscanas, eles em meditação e elas rezando, dois cientistas da Universidade da Pensilvânia, EUA, o radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene D'Aquili, perceberam uma diminuição da atividade neuronal na parte de trás dos crânios daquelas pessoas, no lobo parietal superior. É a região do cérebro onde temos o senso de orientação no espaço e no tempo e também da diferenciação entre indivíduo e os demais seres e objetos. Privados dessa atividade neuronal, os budistas e as freiras sentiram uma perda da divisão de seus seres com as coisas desse mundo, ou seja, tiveram um sentimento de unicidade com o universo. É o mesmo sentimento de iluminação religiosa, êxtase, a perda do "eu" ao se misturar com o mundo ao redor.
Veja, essa porção do cérebro funciona do jeito que funciona devido a sua estrutura determinada por genes, independente das crenças de cada um. As freiras rezavam com motivos cristãos e os budistas com o que sempre aprenderam desta religião bem diferente daquela das freiras. E ambos os grupos chegaram na mesma situação, ou estado. Os antecedentes, ou pais, das freiras e dos budistas, passaram seus genes aos filhos e foram construídas regiões cerebrais "brutas", iguais em seus cérebros, a seres lapidadas diferentemente pela educação, ensinamentos, crenças e a cultura de onde vieram. Eles nasceram com tudo o que acreditam em seus cérebros? A resposta é não! Isto poderia ser provado? Bastaria não ensina-los sobre as suas religiões... Mas quem faria isto? Ninguém... Mas podemos sim afirmar que as coisas se comportam desta maneira.
É por isto que vejo as pessoas encurraladas desde crianças nos ensinamentos religiosos de seus meios sociais. E blasfêmia fora um ótimo termo para manter todo mundo ligado a eles. Até pode ter surgido com outras finalidades mas o termo é feio, fere as convicções de cada um, ofende, é ligado a preconceito etc. Todos possuem medo dela...
Chamei este artigo de "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos" porque, para quem não consegue mudar seu referencial, se desprendendo de tudo o que fora ensinado a ela, se colocando no lugar de gente de outras religiões, não irá entender nada do que eu escrevi. Poderá achar que está diante de um paradoxo, não saberá explicar as idéias apresentadas aqui, ficando indiferente ou furiosa com a conversa, como já percebi em diversas pessoas. E na realidade não existe paradoxo nenhum. Confusão nenhuma. Existem para os que acham a religião deles absoluta. E não é, o acreditar e a fé é que são. São inerentes à natureza dos homens e mulheres.
Na introdução deste meu blog, falo do sociobiólogo Edward Wilson onde ele diz que o ser humano criou mais de 60.000 seitas e religiões devido ao nosso medo da morte e o que viria após a ela. Outras razões também mexiam e mexem conosco como o fato de se querer explicar a origem de tudo, da natureza, de nós mesmos. Nós seres humanos sempre tivemos a capacidade para acreditar em algo e passamos aos nossos descendentes no planeta inteiro em diferentes épocas. Por isto a existência de tantas crenças diferentes até hoje e citei apenas poucos aspectos de três delas neste artigo para o entendimento do leitor. Nenhuma delas é absoluta. No xintoísmo por exemplo, o mundo foi criado a partir de pingos d'água produzidos através de flechas atiradas ao mar por um casal de deuses. Esses pingos se transformaram em ilhas. Na época em que surgiu essa crença, os japoneses, seus ancestrais, não conheciam os continentes, nem sabiam que moravam em um planeta redondo repleto de outras ilhas. Eles procuraram uma explicação para o que eles viam à sua frente, ou seja, mar e algumas ilhas... Veja meu artigo "O Surgimento de uma Religião como uma Necessidade Humana".
Enfim, as religiões buscam respostas para grandes mistérios perpetuados na mente dos seres humanos, mas, esses mistérios acabam sendo explicados das mais diversas formas, o que não deveria, porque o conhecimento torna-se uma "torre de babel". A ciência sim busca respostas satisfatórias pois não lida com a emoção, a fé, o acreditar, e sim com a razão. E aí busca-se respostas no mínimo "únicas".
Uma religião pode "explicar" o surgimento do universo da sua maneira, que é absoluta para os seus seguidores. Mas outra explica de modo diferente... absoluta também para os seus fiéis... Qual estará correta? Digo que explicações assim não são do campo das emoções e, por isto, as ciências é que devem procura-las.
:::::
O Surgimento de uma Religião como uma Necessidade Humana
Imagine o seguinte cenário: um grupo de homo sapiens em uma ilha. Essas pessoas podem ser em número de centenas ou mesmo milhares. Eles apenas enxergam poucas ilhas distantes, não sabem o que é um continente pois nunca estiveram lá, não possuem tecnologia a fabricar barcos e explorarem o oceano a sua volta. Possuem alguns artefatos feitos de barro representando homens, mulheres e animais, vasos de cerâmica, utensílios de bronze mostrando que já dominam o fogo.
Como foram parar lá? Maremotos isolando sua ilha, ou seus antepassados vindos por barco mas sem deixar registros de como fabricá-los etc.
O universo para eles é o céu a terra e o mar. Os elementos as plantas, aves e animais.
Possuem dificuldades com o meio ambiente: tempestades, escassez de alimentos e água potável, hostilidade de feras, inimigos dentro da própria comunidade etc.
Lutam por sobrevivência, anseiam por épocas melhores, não entendem sobre doenças, talvez algumas ervas aqui e ali para amenizar algum problema de alguém. Inventam palavras para exprimirem o que sentem, o que vêem e o que descobrem.
Possuem alguns entretenimentos. Se divertem em rios e cachoeiras. À noite se reúnem em volta de fogueiras, talvez já exista alguma forma de música, ritualística ou não, as crianças brincam despreocupadamente, as mães acompanham os homens ou conversam entre si.
Mas todos sabem que, depois de um certo período, uma luz irá brilhar, iluminando toda a ilha. Assim, suas lutas recomeçarão, tentando não se abaterem com os estímulos negativos oriundos do meio ambiente. E não só esses estímulos os perturbam. Algo de dentro, devido a um questionamento possibilitado pela inteligência que possuem, perseguem-nos desde quando começaram a tomar consciência de si, separados do mundo além de seus corpos: de onde vieram, o que fazem lá, e, o pior, o que vem após a morte? Esta última é a mais perturbadora de todas porque mexe com algo absoluto para eles: nenhum escapa. Todo ser vivo, aquilo diferente do mundo mineral, nasce, cresce e morre. As crianças são oriundas do ventre das mulheres e um dia irão morrer como os idosos, inimigos em luta, acidentes etc.
Alguma saída existe para este conflito emocional oriundo de dilemas existenciais? Porque, no meu modo de ver, um sistema complexo como o cérebro, consciente, teria graves problemas emocionais e não funcionaria direito. Esses nativos estariam comprometidos seriamente com suas vidas, com a perpetuação do grupo na ilha. Mas, como todo homo sapiens, eles possuem a capacidade de acreditar em si mesmos e em algo sobrenatural. Algo que os protegem, que os motivem a enfrentarem seus obstáculos.
Afora tudo que lhes é palpável, imaginam criaturas poderosas e sentem suas existências. Começam a dar nomes a elas, falam de seus descendentes também poderosos, falam que sentiram suas presenças em situações de perigo às quais sobreviveram.
Para esse povo o cenário da criação começou com o mar mas alguns mitos referiam-se à terra que pisavam como um fluído, onde os deuses nasciam como plantas, do chão. Várias descendências de deuses ocorreram até que dois deles, um masculino e um feminino, resolveram criar o mundo, precisamente aquelas ilhas. Com um arremesso de uma lança ao mar, houve uma solidificação dos respingos na água dando origem às mesmas.
Esse casal de deuses resolveu ir morar nas ilhas, criando rochas e montanhas, criando outros deuses menores, sendo estes responsáveis pelo aparecimento dos animais e plantas. A natureza estava formada.
O deus feminino veio a falecer ao parir o fogo. Seu esposo foi atrás dela até o país dos mortos querendo que voltasse mas se perdeu no caminho. Por esta experiência ele se lavou e da limpeza de seu olho esquerdo nasceu a deusa do Sol. Do outro olho nasceu a deusa Lua e do nariz o deus da tempestade.
Divindades surgiram de outras partes de seu corpo. Uma foi incumbida de governar a noite e, outras duas, o mar e o céu. O governador do mar não fora competente em sua tarefa, sendo afastado dessa tarefa. No exílio conheceu uma jovem, filha de um deus e casaram-se. Deles nasceu uma grande quantidade de divindades e um neto de uma delas foi o bisavô de um imperador que fundou o primeiro estado... japonês!
Sim, eu estava todo esse tempo falando simplificadamente do surgimento do xintoísmo, a religião japonesa, reconhecida como tal somente no século sexto. Houve fusão de várias idéias entre o Xintoísmo e o Budismo, influências taoístas e confucionistas, conforme o Japão foi-se desenvolvendo e seu povo entrando em contato com outras civilizações, principalmente da China.
O Xintoísmo fala de duas almas quando um ser humano nasce, uma vinda do céu e outra da Terra. Na morte cada uma delas volta de onde veio sendo que a da Terra será julgada pelo que fez em vida. Sentenciada a servir no inferno, devido às suas falhas, após o cumprimento da pena ela renasce na Terra ou se torna um demônio. Tornam-se espíritos como recompensa aqueles que fizeram o bem em suas vidas. Desses, alguns tornam-se guardiões de lugares específicos, outros irão guiar seus descendentes e existem aqueles enviados a servirem aos deuses das cidades. Poucos são deificados. Isto se realizarem feitos excepcionais
A religião japonesa foi considerada pelos Estados Unidos e os aliados como uma das principais fontes de inspiração nipônica militar e expansionista durante a segunda guerra mundial. Tanto é que cuidaram de neutralizá-la chegando a proibir qualquer apoio oficial de órgãos públicos a partir de 15 de dezembro de 1945. Claro que não se retira totalmente de um povo uma religião a partir de decretos e apesar de dividir espaço atualmente com o cristianismo, confucionismo, taoísmo e budismo, ela continua sendo a religião com o maior número de adeptos. Isto porque o xintoísmo é a essência do Japão, da sua cultura, como uma religião de berço, indígena, própria, nascido em suas ilhas com tradição milenar.
Daria para acreditar que eu estava falando de um fato nativo como um dos fatores da grandiosidade da cultura e sociedade japonesas, desde os primeiros parágrafos? Claro que alguma elucubração eu fiz quanto do cenário indígena e fatos possíveis acontecendo nesse tipo de sociedade. Mas os deuses existiram e omiti os nomes para não se desconfiar logo de início do que se tratava. Eu pretendi transmitir, com este pequeno texto, que a capacidade humana em crer é absoluta, existe em todos nós, mas as formas das religiões surgidas a partir dela são bem diversificadas. Fiz como exemplo o Japão, uma superpotência, onde as raízes da sua cultura e sociedade podem parecer tolas, ingênuas para muitos de nós! Daí o relativismo das religiões que cito em meu artigo “O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto”: http://orelativismodasreligioes.blogspot.com/2007/03/o-relativismo-das-religies-e-o-que.html
Na minha opinião, o “acreditar” e tudo derivado dele, incluindo a fé, é uma força evolutiva muito poderosa em nós humanos. Ela molda nossas sociedades e nosso modo de vermos o mundo a partir do momento que começamos a criar mitos, regras de conduta social, deuses ou deus.
Podemos ver que as religiões, nascidas dessa nossa capacidade de acreditar e sentir, tem muito a ver até com a geografia do seu local de nascimento. No Japão existem muitos vulcões – montanhas – e os deuses masculino e feminino, respectivamente, Izanagi e Izanami, foram quem criaram as rochas e montanhas. E também quem arremessaram as lanças das quais os respingos no mar fizeram surgir as ilhas tão comum aos nipônicos. Afinal, o Japão é um conjunto delas.
:::::
E o Homem Criou Deus
Por que somos seres dotados de racionalidade, consciência, emoções e sentimentos?
O homem recebe estímulos do meio ambiente e os processa a fim de poder reagir adequadamente a eles. Os sentidos são os canais de entrada e o sistema nervoso, incluindo o cérebro, o computador de processamento. Isto é a racionalidade.
Qual o propósito último dessas propriedades? Dessa capacidade? A perpetuação dos seres humanos na Terra!
A consciência é a propriedade na qual o cérebro volta a si próprio, verifica se está certo ou errado na realização de funções. Verifica sua própria atuação. Mas é também um instrumento da inteligência, da razão. Como um exemplo, imagine você tomando uma decisão em um jogo de xadrez. Você pensa: “vou colocar a torre ameaçando a dama adversária e, meu oponente, ao tirá-la de sua posição, vai me facilitar um xeque-mate através de minha dama e a outra torre”. Veja, por seis vezes seu cérebro “requisitou” a consciência nesse raciocínio: “eu” vou, “minha” torre, “meu” oponente, a “mim”, “minha” dama, “minha” torre. Na verdade, foi a consciência que dirigiu todo o processo. Ela é um dos maiores, se não o maior, instrumento de nossa racionalidade. Nem é preciso dizer o quanto ajudou em nossa sobrevivência no planeta.
Mas existem os nossos sentimentos e emoções também... E digo novamente: perpetuação dos seres humanos!
Os mamíferos são organismos zelosos com suas proles e também são seres sociais. São muito mais que isso. Mas como podem ser diferentes dos répteis e peixes, de animais onde seus descendentes são livres ao penetrarem no meio ambiente logo após o nascimento, sem nenhum cuidado por parte dos genitores?
Existe um elo de ligação entre pais e filhos nos mamíferos: o afeto, o amor. E aí começa a história. Sem esses sentimentos, e muitos outros, os filhotes não sobreviveriam pois nascem imaturos, despreparados para enfrentarem o mundo sozinhos. E sem sentimentos e emoções não formaríamos famílias, não nos protegiríamos, não faríamos por nós e pela coletividade. Leia os textos indicados após este artigo e o livro "Os Dragões do Éden", de Carl Sagan.
Além da racionalidade, emoções e sentimentos foram decisivos em nossa sobrevivência na Terra. As forças evolutivas os criaram.
Neste ponto a ciência difere dos filósofos cristãos, pensadores etc., que diziam ser os sentimentos, emoções e a racionalidade, frutos da influência de algo imaterial como um espírito ou alma. Se as forças evolutivas criaram um sistema dotado dessas três propriedades para a nossa evolução, por que existiria algo imaterial a influir nesse sistema?
O espírito acompanhou toda a história evolutiva dos organismos até nosso cérebro? Ele se apossou do cérebro em certa altura da história evolutiva dos nossos antepassados? Ele “dirigiu” as forças evolutivas conduzindo a evolução do sistema nervoso? Perguntas até hilárias! Isto não é ciência! Ciência é estudar os fenômenos naturais, explicá-los, sem apelar a nenhum artifício, ou “atalho”, facilitando a compreensão desses estudos.
Mas podemos ir mais longe. E por isto coloquei a consciência no começo do artigo, mencionando-a como um agente de suma importância em nossa evolução.
Acredito que seja necessário, no mínimo, de duas condições para um sistema ser dotado de consciência: amor próprio e fé. Sem amor próprio tal sistema não sobreviveria. E sem fé, ao menos por nós mesmos, nem sequer levantaríamos da cama! Não acreditaríamos em nós, em nosso potencial.
Esses sentimentos funcionam como “suportes”, “amortecedores” naturais para um sistema consciente e foram criados pelas forças evolutivas.
Mas a fé nos leva, pelo menos na maioria das pessoas, a acreditar em um ou mais deuses. E estes últimos foram uma “constante” em civilizações do passado e é comum em comunidades indígenas no mundo inteiro. Até hoje nossas sociedades, inclusive as indígenas, são em maior número de politeístas.
É confortante para o homem acreditar em algo superior, transcendental, que o ajude e o ampare.
Ter consciência do mundo, da existência de uma separação entre nós e o que nos cerca, pode levar-nos a uma solidão juntamente com uma insuportável crise existencial. O homem não agüentaria viver neste mundo sem algo de superior a acreditar. Mais uma vez, outro “amortecedor” natural oriundo da fé.
E aí chegamos em uma conclusão surpreendente a qual o leitor já deve ter concebido. Sendo a fé o sentimento que nos faz acreditar em seres imateriais, transcendentais, onde se pode acreditar até no ato de criação de tudo que existe em nosso universo, e sendo “suporte” para a consciência, então Deus e deuses foram e sempre serão criados pela mente humana!
Referência: www.cerebromente.org.br :
"A Base Material dos Sentimentos" I e II (2001);
"O Porquê dos nossos Sentimentos" I (2001) e II (2002) - por Argos Arruda Pinto.
:::::
O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto
Cristianismo: a religião cristã. A maior do planeta com cerca de 2,2 bilhões de adeptos. Nela, Jesus Cristo é Filho de Deus e a Bíblia o livro sagrado onde Eles ensinam Suas palavras e Suas vontades a Seus seguidores.
Islamismo: a religião muçulmana. Com um número aproximado de 1,3 bilhões de adeptos, Alá é o seu deus e Maomé o seu profeta. O Corão é o livro sagrado no qual o anjo Gabriel revelou a Maomé os ensinamentos e as vontades de Alá. Para os muçulmanos Jesus é apenas um profeta em nível terreno e humano. Diga a eles que Cristo é filho de Deus e você será motivo de gozação!
Hinduísmo: aproximadamente 900 milhões de seguidores. Cultuam um grande número de deuses e deusas como Brahma, Shiva e Vishnu. Shiva destrói o universo enquanto Vishnu dorme boiando em um oceano. Brahma, montado em uma flor de lótus, nascida no umbigo de Vishnu, reconstrói o universo. Existente há mais de quatro mil anos, o hinduísmo é diferente e muito do cristianismo e do islamismo. Não há um livro comum ou um conjunto de textos comuns seguidos pelos hindus, embora os Vedas e o Bhagavad Gita sejam bastante populares. Diga a um hindu que Alá é um deus e você será motivo de gozação!
Budismo: possui entre 300 e 400 milhões de adeptos e se desenvolveu a partir de Sidarta Gautama, o Buda. As escrituras e ensinamentos budistas são complexos e variados, mas existe uma Lei de Originação Dependente onde todos os fenômenos do universo estão ligados entre si em uma infindável cadeia de interdependência. O budismo não reconhece nenhum deus criador, onipotente, onipresente e onisciente. Diga a um budista da tríade Brahma, Vishnu e Shiva como os agentes criadores e destruidores do universo que você será motivo de gozação! E também será motivo de gozação se disser a um cristão sobre a negação budista de um deus criador!
Essas são as quatro religiões com os maiores números de adeptos no mundo inteiro. Não estou criticando certas "verdades" de cada uma, apenas, e isto não é pouco, mostro o quanto de ridicularização pode existir se confrontarmos algumas idéias ou preceitos de cada uma entre seus seguidores. E coloquei em seqüência partindo do islamismo estranhando o cristianismo até este ridicularizando o budismo. Uma circularidade patética devido somente a eles, com suas idéias absolutistas. E eu poderia cruzar cada um deles com os outros que a mesma estranheza apareceria.
Qual das religiões está certa em seus princípios, dogmas, idéias etc.? E quanto às outras existentes?
Edward Wilson, um dos criadores da sociobiologia, relata em seu livro “Da Natureza Humana” que os homens criaram até hoje mais de 60.000 seitas e religiões. E podemos dizer sem dúvida alguma que acharíamos adeptos em todas elas com a mesma carga emocional de fé que adeptos das quatro citadas acima. Não é porque, por exemplo, o cristianismo, sendo predominante em países avançados tecnologicamente e financeiramente, está correto em princípios e ensinamentos do que uma seita indígena acreditando em deuses das florestas, rios céu, terra, etc. Encontraríamos índios com a mesma intensidade de fé em seus deuses como um grande sacerdote católico acredita no Deus cristão.
Então, em resposta à pergunta do parágrafo mais acima, posso dizer: nenhuma está correta em relação à outra. E não adianta proferir aquela frase tão comum por aí: “as religiões se referem a uma mesmo deus”. Existe o hinduísmo politeísta e o budismo sem nenhum deus. E a maioria das religiões até hoje foram politeístas!
O que existe é uma relatividade enorme entre elas. E de absoluto a capacidade do homem em sentir e acreditar! E aqui está o propósito deste artigo.
Em outro artigo meu, “E o Homem Criou Deus” (neste blog, www.genismo.com e www.ataliba.eti.br), falo da necessidade biológica do ser humano em acreditar em algo imaterial, maior que ele, para não se sentir sozinho, indefeso e com um grande vazio dentro de si. As forças evolutivas tiveram que criar uma “muleta” emocional sem a qual o cérebro, consciente de si e do corpo que comanda, pereceria com esse vazio angustiante.
Falo de um sistema racional e emocional indo além de um sistema lógico.
Edward Wilson diz que o medo da morte e o que poderia vir ou não depois dela fora o principal motivo do homem criar tantas seitas e religiões. A grande maioria delas cita, “inventa”, um mundo pós-vida.
E vou além. Qualquer ser vivo, consciente de si próprio no universo, seria fraco demais se não houvesse essa “muleta” emocional a garantir sua sobrevivência.
Claro, estou falando de Darwin.
:::::
Consciência, Genes e Nada Sobrenatural
O cérebro humano é uma máquina físico-química com aproximadamente cem bilhões de neurônios. Toda essa maquinaria, junto com outros tipos de células, é responsável pelos nossos pensamentos, imaginação, abstrações, sentimentos, emoções, etc., e, o que é também impressionante, nosso caráter e personalidade.
Tudo isso são propriedades emergentes das reações físico-químicas, ou seja, propriedades situando-se em níveis superiores daqueles das reações, mas dependentes destas.
Uma pergunta difícil de ser respondida é aquela onde se questiona se podemos entender, na totalidade, o funcionamento dessa maquinaria. Não precisaríamos de uma mente superior para entendermos uma inferior? Podemos criar circuitos neurais e aproximá-los em propriedades da nossa forma de pensar e sentir.
Uma questão sempre me intrigou com relação às nossas mentes: a consciência; uma propriedade das mais complexas, talvez a maior, de nossos cérebros. O sistema volta a si mesmo e se reconhece. Mais ainda, corrige erros, verifica suas verdades e asserções, sabendo que é de si próprio o que se trata. E o mais extraordinário: a consciência volta a si mesma, sabendo da própria existência.
Nenhuma lei científica consegue explicar esta façanha (embora existem tentativas recentes como, por exemplo, as idéias do neurologista português Antonio Damásio no livro “O Mistério da Consciência”) e aí seria um “prato cheio” para vitalistas, animistas ou criacionistas dizerem de algo sobrenatural guiando nossas mentes ao gerar nossa consciência.
Não é bem assim. Apesar de não termos leis matemáticas, cibernéticas ou da Teoria de Sistemas elucidando essa questão neural, temos um recurso a nos apoiar: nossos genes.
Eles são a “planta” de construção de todo nosso corpo incluindo o cérebro. Tudo funciona como funciona porque nossa estrutura, com base nos genes, é do jeito que é.
Eles ainda deixam parte de nossa estrutura cerebral com uma plasticidade intacta a ser moldada pelo meio ambiente durante nosso crescimento. A criança se desenvolve em um mundo diferente daquele dos seus pais. Através de estímulos ambientais ela vai aprendendo a reagir ao mundo externo e seu cérebro vai realizando conexões neurais específicas.
Quer dizer que nascemos com parte de nossa personalidade e caráter formados e parte é moldada pelo meio ambiente. Um grande recurso da evolução porque o ser humano não poderia possuir um cérebro rígido, sem a oportunidade de evoluir com as mudanças ambientais. Não estaríamos aqui hoje!
Então o cérebro funciona do jeito que funciona, com propriedades realizando as mais diversas funções, devido à sua estrutura construída de acordo com os nossos genes.
Não importa se compreenderemos as propriedades cerebrais primeiro com leis científicas ou com a codificação dos genes. Importa é saber que nada vem de algo sobrenatural.
A consciência, talvez a mais complexa propriedade cerebral, vem de uma estrutura, o cérebro, construído com uma “planta”, nossos genes. Tudo energia e matéria conhecidas por nós.
:::::
Altruísmo versus Egoísmo - Só o homem poderá salvar o próprio homem
Cena comum em muitas cidades no mundo inteiro: um mendigo enfermo sentado em uma calçada pede uma esmola a alguém. Existem vários tipos de pessoas e podemos obter algumas conclusões de um episódio deste.
Uma passa pelo mendigo, não dá nada, não possui nenhum sentimento humanitário, solidário. Outra dá algum dinheiro pois tem pena daquela pobre criatura. Outra mesmo com pena não cede. Enfim é uma situação nada simples e se poderia falar em dezenas de reações dos pedestres.
Mas um fato eu afirmo categoricamente: muitas, mas muitas pessoas sentem, lá no fundo, um certo peso na consciência. Elas sabem que diretamente são a única salvação do enfermo, mas não se mobilizam para salvá-lo, nem a outro. Não entram para alguma associação de caridade, não contribuem, não se envolvem. Claro que não, o egoísmo é poderoso. Poucos praticam o altruísmo.
Muitos rezam pelo próximo em suas igrejas ou mesmo sozinhos em casa, pelos cuidados de Deus. Ficam aliviados, extraem o peso de suas consciências porque delegam a um ente abstrato uma responsabilidade só sua. Unicamente sua. Fácil não?!
Por natureza somos e vivemos entre dois pólos: o egoísmo e o altruísmo. Se fôssemos 100% só um deles seríamos extintos. Só egoístas não formaríamos sociedades, famílias. Só altruístas esqueceríamos de nós mesmos por completo. Nem conseguimos pensar direito como seríamos totalmente.
Onde quero chegar? Bem, sou otimista quanto ao nosso futuro como espécie animal.
Milhares de anos de cultos, seitas e religiões e parece que o homem não aprendeu muito a respeito de solidariedade, humanidade e altruísmo. Continuamos nos matando e explorando uns aos outros.
Não é possível “extirpar” nosso lado egoísta mas podemos e devemos desenvolver nosso lado altruísta. E será com este lado mas também com as ciências e a tecnologia que o homem aprenderá a dar mais valor ao seu semelhante e, o mais importante, agirá em benefício deste. Não quero dizer em substituição das religiões: temos um lado de acreditar em algo superior como menciono em “A Relatividade das Religiões e o que Existe por trás Disto”. Mais de 90% da população mundial possui alguma crença.
Um dia e não faz muito tempo percebemos o quão estávamos poluindo a Terra. Espécies de plantas e animais sendo dizimados também pela ocupação humana em diversos habitats.
Movimentos solidários à natureza surgiram em todos os cantos do mundo e a tendência é continuar. Lembro-me em que há poucas décadas nem se falava em ecologia. Hoje é uma palavra das mais usadas na mídia, por exemplo.
Um dia o ser humano cairá em si e verá que não se está dando o devido valor como para com os outros seres vivos.
Querem um exemplo? Mate um animal silvestre e você será preso sem direito à fiança. E quantos crimes são beneficiados pela fiança? Muitos. A aberração aqui não é o fato de não se dar direito à fiança a alguém exterminando um animal e sim ao fato de um homem poder tirar a vida de outro e ser contemplado com ela. E isto sem falar em relaxações de pena...
Então voltaremos a nós mesmos após trabalharmos e muito pelos outros seres vivos, pelo meio ambiente, pela Terra. Iremos parar e pensar: faço tanto por eles e o que faço pelos nossos irmãos? A própria sociedade cobrará a si mesma, ou seja, uma mentalidade emergente surgirá naturalmente do sistema em questão. Propriedades emergentes aparecem em situações especiais dos sistemas como algo “acima” do funcionamento deste, em um nível mais elevado.
Na verdade já existem pessoas, órgãos, associações etc., com este propósito mas precisamos de mais. E este “mais” então virá com o tempo.
A ciência e a tecnologia, em dois ou três séculos, mais que dobraram a vida média das pessoas, colocaram o ser humano em uma época de maior conforto de sua história e irão reparar os danos oriundos desse avanço com a conscientização citada acima.
Imaginem novos materiais a construírem moradias mais baratas, alimentos nutritivos e acessíveis à população de baixa renda, mais trabalho, assistência médica etc.
Se com o egoísmo nada disso valeria, o altruísmo, as ciências e a tecnologia levarão o ser humano a um patamar em qualidade de vida nunca imaginada por ninguém.
NOTA: a salvação espiritual pregada pelo cristianismo e todas as outras religiões prometem e conseguem que muitas pessoas melhorem de seus estados emocionais negativos. E assim poderão ter uma melhora na qualidade de vida conseguindo estabilidade financeira, melhor assistência médica, alimentação etc. Mas a neurociência está provando que a prática das religiões envolve áreas cerebrais responsáveis pela ansiedade, angústia, depressão etc. Na verdade então é uma melhora psicológica... Psiquiatria, psicologia e a neurociência, entre as suas ramificações, poderão substituir qualquer prática religiosa para os males do cérebro. Mais uma vez é o ser humano se voltando para o próprio ser humano (28/02/2013).
Esta frase foi proferida em um círculo de amigos onde a maioria das pessoas, estávamos em oito, pareceram não terem entendido não somente a frase mas não sabiam de onde vieram suas crenças, suas verdades religiosas, seus valores religiosos e aqueles secundários, terciários, ou mais, oriundos dos primeiros. Sim, "não roubarás" está nos Dez Mandamentos da nossa Bíblia e temos este valor como um dos principais em nosso meio. A partir daí procuramos cultivar valores como o hábito de passar às crianças, mesmo não tendo relações de parentesco com elas, quando as vimos brincando com algum objeto que, pela inocência delas, são capazes de levar o objeto pois ainda não possuem juízos de valores.
Mas, será que nascemos já com a religião dos nossos pais, do nosso meio social que é o nosso meio ambiente, de amigos e pessoas desconhecidas que às vezes nos falaram sobre assuntos pertinentes a ela? A resposta é: claro que não!
Uma criança indiana de seis anos de idade aprende que o nome dos três deuses criadores e destruidores do universo são Brahma, Vishnu e Shiva. Ela não registrará esta informação em seus genes e sim na memória. Não irá passar para seus descendentes essa informação a menos que... ensine a eles! E aqui está o ponto de máxima deste artigo: a educação e a formação baseadas em condições culturais é que levam às pessoas a formarem suas idéias, valores, verdades, dúvidas, crenças etc., a respeito de suas religiões.
Uma criança católica que aprende aos sete anos o valor de sua presença em uma missa, da igreja de seu bairro, transmitirá essa informação com seus sentimentos aos filhos de maneira genética? Não! Terá que ensina-los!
Podemos pensar em uma experiência sem que, por mais curiosos que sejamos, não a colocaríamos em prática devido às que questões humanas e éticas, morais e legais nela implicada: dois gêmeos são separados ao nascerem. Um é levado a um país muçulmano e outro ficaria no Brasil. Seriam criados por famílias diferentes, em contextos sociais diferentes. Após uns trinta anos se encontrariam.
Sem realizar essa experiência, sabemos que um estranhará a religião do outro. O brasileiro dirá que Deus é pai de Cristo e que este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existe ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, nem citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobre tudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!
Quem está certo? Cada um dirá que está certo. E quem muda este estado de coisas? Ninguém... Os gêmeos não se entenderiam, poderiam se respeitarem já que são irmãos etc. Muitas são as situações possíveis decorrentes de uma situação desta. Mas um fato é certo: abalar as crenças tanto de um como as do outro seria quase impossível. Digo quase pois um cristão pode se converter em muçulmano e vice-versa, mas o que vemos por aí é uma indiferença quase que total de pessoas religiosas quanto às crenças de outra religião.
Vejamos um fato: ao lembrar da minha infância, logo quando comecei a tomar consciência do mundo, depois dos quatro anos, vejo em memória eu e meus pais entrando na principal igreja católica da cidade. Eu admirava aqueles santos nas paredes e minha mãe dizia algo sobre a história deles, simplificadamente claro, pois eu era muito criança. Aquele lugar fora o ambiente mais bonito que eu já havia conhecido. E aprendi que aquele tipo de local era de adoração e respeito a tudo relacionado a ele.
Me lembro das festas natalinas. Qual criança não gosta de presentes? Qual criança não gosta das comidas típicas dessas datas? Mas aprendia sobre o dia vinte e cinco de dezembro como o dia em que Cristo viera ao mundo. O mesmo Cristo com seus pais em forma escultural na igreja, com outros santos em histórias relacionadas a ele etc.
Mas a minha vida naquela época, como a vida de todos os meus amigos não era só de Natal e igreja. Pais de amigos contando sobre a criação divina, amigos mais velhos dizendo de particularidades da Bíblia, mesmo que incompletas ou um pouco distorcidas, pois eram crianças também, sujeitas a erros... Professores, os amigos da escola, as pessoas nas ruas, todos se referindo a um contexto complexo e "absoluto" a me informar, educar, ensinar e a respeitar os fatos do cristianismo.
Meu cérebro, como de todas as crianças estavam em desenvolvimento. Isto quer dizer que, de uma massa bruta, não lapidada, o nosso meio ambiente influía decisivamente na formação do nosso caráter, da nossa personalidade, ambos influenciados pelo cristianismo de forma direta e absolutamente inquestionável.
Não eram somente as histórias, ensinamentos e fatos das vidas daquelas pessoas maravilhosas ilustradas em revistas, livros, na igreja ou em conversas das pessoas sobre a nossa religião que estavam em jogo. Nossos valores, nossas concepções de como é este mundo, o certo e o errado provenientes das interpretações e frases diretas do nosso Livro Sagrado, a Bíblia, leis cívicas em consonância com a realidade espiritual em que vivíamos, tudo eram influências a moldarem nossas cabeças. "Não roubarás, Não matarás...". Não serão todas essas influências uma forte carga emocional para nós, desde as primeiras idades, a marcarem nossas vidas e condutas perante às pessoas e a nossa sociedade? Claro que sim! Não há dúvidas sobre isto.
Tenho conversado com muitas pessoas religiosas sobre este tema. Digo "religiosas" e o leitor já deve ter percebido que estarei mencionando pessoas praticando suas religiões. O católico freqüentando suas missas, rezando, orando, tendo um ou várias entidades - "santos" - especiais etc. O evangélico também sempre presente em cultos, contribuindo com o dízimo para com a sua igreja, lendo e / ou estudando o Novo Testamento etc.
Posso dizer algo importante e surpreendente sobre essas conversas: todos sem exceção admitem as "verdades" de suas crenças como absolutas, suas religiões como as corretas, desprezando, ficando indiferente quando digo das "verdades" das outras. Chegam essas conversas a serem motivos de discussões acaloradas quando eu teimo em dizer da relatividade das religiões, tema este sempre abordado por mim em meus artigos em vários blogs. Digo neles que cada pessoa toma para si como absoluta a sua religião e despreza as crenças das outras. Isto mostra claramente que elas não são absolutas. Suas "verdades" são relativas, dependem de onde as pessoas cresceram, a cultura local, religião local etc. Leia o meu artigo "O Relativismo das Religiões e o que Existe por trás Disto", neste blog. O que é absoluto é a capacidade do ser humano em crer, sentir algo sobrenatural, ter fé somente em si mesmo, como é o caso dos ateus. Esta capacidade, e acredito nisto, veio da Evolução sobre os seres humanos como uma vantagem para a perpetuação da espécie no planeta como está no artigo mencionado.
Em experiências com budistas e freiras franciscanas, eles em meditação e elas rezando, dois cientistas da Universidade da Pensilvânia, EUA, o radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene D'Aquili, perceberam uma diminuição da atividade neuronal na parte de trás dos crânios daquelas pessoas, no lobo parietal superior. É a região do cérebro onde temos o senso de orientação no espaço e no tempo e também da diferenciação entre indivíduo e os demais seres e objetos. Privados dessa atividade neuronal, os budistas e as freiras sentiram uma perda da divisão de seus seres com as coisas desse mundo, ou seja, tiveram um sentimento de unicidade com o universo. É o mesmo sentimento de iluminação religiosa, êxtase, a perda do "eu" ao se misturar com o mundo ao redor.
Veja, essa porção do cérebro funciona do jeito que funciona devido a sua estrutura determinada por genes, independente das crenças de cada um. As freiras rezavam com motivos cristãos e os budistas com o que sempre aprenderam desta religião bem diferente daquela das freiras. E ambos os grupos chegaram na mesma situação, ou estado. Os antecedentes, ou pais, das freiras e dos budistas, passaram seus genes aos filhos e foram construídas regiões cerebrais "brutas", iguais em seus cérebros, a seres lapidadas diferentemente pela educação, ensinamentos, crenças e a cultura de onde vieram. Eles nasceram com tudo o que acreditam em seus cérebros? A resposta é não! Isto poderia ser provado? Bastaria não ensina-los sobre as suas religiões... Mas quem faria isto? Ninguém... Mas podemos sim afirmar que as coisas se comportam desta maneira.
É por isto que vejo as pessoas encurraladas desde crianças nos ensinamentos religiosos de seus meios sociais. E blasfêmia fora um ótimo termo para manter todo mundo ligado a eles. Até pode ter surgido com outras finalidades mas o termo é feio, fere as convicções de cada um, ofende, é ligado a preconceito etc. Todos possuem medo dela...
Chamei este artigo de "O Paradoxo dos Gêmeos Religiosos" porque, para quem não consegue mudar seu referencial, se desprendendo de tudo o que fora ensinado a ela, se colocando no lugar de gente de outras religiões, não irá entender nada do que eu escrevi. Poderá achar que está diante de um paradoxo, não saberá explicar as idéias apresentadas aqui, ficando indiferente ou furiosa com a conversa, como já percebi em diversas pessoas. E na realidade não existe paradoxo nenhum. Confusão nenhuma. Existem para os que acham a religião deles absoluta. E não é, o acreditar e a fé é que são. São inerentes à natureza dos homens e mulheres.
Na introdução deste meu blog, falo do sociobiólogo Edward Wilson onde ele diz que o ser humano criou mais de 60.000 seitas e religiões devido ao nosso medo da morte e o que viria após a ela. Outras razões também mexiam e mexem conosco como o fato de se querer explicar a origem de tudo, da natureza, de nós mesmos. Nós seres humanos sempre tivemos a capacidade para acreditar em algo e passamos aos nossos descendentes no planeta inteiro em diferentes épocas. Por isto a existência de tantas crenças diferentes até hoje e citei apenas poucos aspectos de três delas neste artigo para o entendimento do leitor. Nenhuma delas é absoluta. No xintoísmo por exemplo, o mundo foi criado a partir de pingos d'água produzidos através de flechas atiradas ao mar por um casal de deuses. Esses pingos se transformaram em ilhas. Na época em que surgiu essa crença, os japoneses, seus ancestrais, não conheciam os continentes, nem sabiam que moravam em um planeta redondo repleto de outras ilhas. Eles procuraram uma explicação para o que eles viam à sua frente, ou seja, mar e algumas ilhas... Veja meu artigo "O Surgimento de uma Religião como uma Necessidade Humana".
Enfim, as religiões buscam respostas para grandes mistérios perpetuados na mente dos seres humanos, mas, esses mistérios acabam sendo explicados das mais diversas formas, o que não deveria, porque o conhecimento torna-se uma "torre de babel". A ciência sim busca respostas satisfatórias pois não lida com a emoção, a fé, o acreditar, e sim com a razão. E aí busca-se respostas no mínimo "únicas".
Uma religião pode "explicar" o surgimento do universo da sua maneira, que é absoluta para os seus seguidores. Mas outra explica de modo diferente... absoluta também para os seus fiéis... Qual estará correta? Digo que explicações assim não são do campo das emoções e, por isto, as ciências é que devem procura-las.
:::::
O Surgimento de uma Religião como uma Necessidade Humana
Imagine o seguinte cenário: um grupo de homo sapiens em uma ilha. Essas pessoas podem ser em número de centenas ou mesmo milhares. Eles apenas enxergam poucas ilhas distantes, não sabem o que é um continente pois nunca estiveram lá, não possuem tecnologia a fabricar barcos e explorarem o oceano a sua volta. Possuem alguns artefatos feitos de barro representando homens, mulheres e animais, vasos de cerâmica, utensílios de bronze mostrando que já dominam o fogo.
Como foram parar lá? Maremotos isolando sua ilha, ou seus antepassados vindos por barco mas sem deixar registros de como fabricá-los etc.
O universo para eles é o céu a terra e o mar. Os elementos as plantas, aves e animais.
Possuem dificuldades com o meio ambiente: tempestades, escassez de alimentos e água potável, hostilidade de feras, inimigos dentro da própria comunidade etc.
Lutam por sobrevivência, anseiam por épocas melhores, não entendem sobre doenças, talvez algumas ervas aqui e ali para amenizar algum problema de alguém. Inventam palavras para exprimirem o que sentem, o que vêem e o que descobrem.
Possuem alguns entretenimentos. Se divertem em rios e cachoeiras. À noite se reúnem em volta de fogueiras, talvez já exista alguma forma de música, ritualística ou não, as crianças brincam despreocupadamente, as mães acompanham os homens ou conversam entre si.
Mas todos sabem que, depois de um certo período, uma luz irá brilhar, iluminando toda a ilha. Assim, suas lutas recomeçarão, tentando não se abaterem com os estímulos negativos oriundos do meio ambiente. E não só esses estímulos os perturbam. Algo de dentro, devido a um questionamento possibilitado pela inteligência que possuem, perseguem-nos desde quando começaram a tomar consciência de si, separados do mundo além de seus corpos: de onde vieram, o que fazem lá, e, o pior, o que vem após a morte? Esta última é a mais perturbadora de todas porque mexe com algo absoluto para eles: nenhum escapa. Todo ser vivo, aquilo diferente do mundo mineral, nasce, cresce e morre. As crianças são oriundas do ventre das mulheres e um dia irão morrer como os idosos, inimigos em luta, acidentes etc.
Alguma saída existe para este conflito emocional oriundo de dilemas existenciais? Porque, no meu modo de ver, um sistema complexo como o cérebro, consciente, teria graves problemas emocionais e não funcionaria direito. Esses nativos estariam comprometidos seriamente com suas vidas, com a perpetuação do grupo na ilha. Mas, como todo homo sapiens, eles possuem a capacidade de acreditar em si mesmos e em algo sobrenatural. Algo que os protegem, que os motivem a enfrentarem seus obstáculos.
Afora tudo que lhes é palpável, imaginam criaturas poderosas e sentem suas existências. Começam a dar nomes a elas, falam de seus descendentes também poderosos, falam que sentiram suas presenças em situações de perigo às quais sobreviveram.
Para esse povo o cenário da criação começou com o mar mas alguns mitos referiam-se à terra que pisavam como um fluído, onde os deuses nasciam como plantas, do chão. Várias descendências de deuses ocorreram até que dois deles, um masculino e um feminino, resolveram criar o mundo, precisamente aquelas ilhas. Com um arremesso de uma lança ao mar, houve uma solidificação dos respingos na água dando origem às mesmas.
Esse casal de deuses resolveu ir morar nas ilhas, criando rochas e montanhas, criando outros deuses menores, sendo estes responsáveis pelo aparecimento dos animais e plantas. A natureza estava formada.
O deus feminino veio a falecer ao parir o fogo. Seu esposo foi atrás dela até o país dos mortos querendo que voltasse mas se perdeu no caminho. Por esta experiência ele se lavou e da limpeza de seu olho esquerdo nasceu a deusa do Sol. Do outro olho nasceu a deusa Lua e do nariz o deus da tempestade.
Divindades surgiram de outras partes de seu corpo. Uma foi incumbida de governar a noite e, outras duas, o mar e o céu. O governador do mar não fora competente em sua tarefa, sendo afastado dessa tarefa. No exílio conheceu uma jovem, filha de um deus e casaram-se. Deles nasceu uma grande quantidade de divindades e um neto de uma delas foi o bisavô de um imperador que fundou o primeiro estado... japonês!
Sim, eu estava todo esse tempo falando simplificadamente do surgimento do xintoísmo, a religião japonesa, reconhecida como tal somente no século sexto. Houve fusão de várias idéias entre o Xintoísmo e o Budismo, influências taoístas e confucionistas, conforme o Japão foi-se desenvolvendo e seu povo entrando em contato com outras civilizações, principalmente da China.
O Xintoísmo fala de duas almas quando um ser humano nasce, uma vinda do céu e outra da Terra. Na morte cada uma delas volta de onde veio sendo que a da Terra será julgada pelo que fez em vida. Sentenciada a servir no inferno, devido às suas falhas, após o cumprimento da pena ela renasce na Terra ou se torna um demônio. Tornam-se espíritos como recompensa aqueles que fizeram o bem em suas vidas. Desses, alguns tornam-se guardiões de lugares específicos, outros irão guiar seus descendentes e existem aqueles enviados a servirem aos deuses das cidades. Poucos são deificados. Isto se realizarem feitos excepcionais
A religião japonesa foi considerada pelos Estados Unidos e os aliados como uma das principais fontes de inspiração nipônica militar e expansionista durante a segunda guerra mundial. Tanto é que cuidaram de neutralizá-la chegando a proibir qualquer apoio oficial de órgãos públicos a partir de 15 de dezembro de 1945. Claro que não se retira totalmente de um povo uma religião a partir de decretos e apesar de dividir espaço atualmente com o cristianismo, confucionismo, taoísmo e budismo, ela continua sendo a religião com o maior número de adeptos. Isto porque o xintoísmo é a essência do Japão, da sua cultura, como uma religião de berço, indígena, própria, nascido em suas ilhas com tradição milenar.
Daria para acreditar que eu estava falando de um fato nativo como um dos fatores da grandiosidade da cultura e sociedade japonesas, desde os primeiros parágrafos? Claro que alguma elucubração eu fiz quanto do cenário indígena e fatos possíveis acontecendo nesse tipo de sociedade. Mas os deuses existiram e omiti os nomes para não se desconfiar logo de início do que se tratava. Eu pretendi transmitir, com este pequeno texto, que a capacidade humana em crer é absoluta, existe em todos nós, mas as formas das religiões surgidas a partir dela são bem diversificadas. Fiz como exemplo o Japão, uma superpotência, onde as raízes da sua cultura e sociedade podem parecer tolas, ingênuas para muitos de nós! Daí o relativismo das religiões que cito em meu artigo “O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto”: http://orelativismodasreligioes.blogspot.com/2007/03/o-relativismo-das-religies-e-o-que.html
Na minha opinião, o “acreditar” e tudo derivado dele, incluindo a fé, é uma força evolutiva muito poderosa em nós humanos. Ela molda nossas sociedades e nosso modo de vermos o mundo a partir do momento que começamos a criar mitos, regras de conduta social, deuses ou deus.
Podemos ver que as religiões, nascidas dessa nossa capacidade de acreditar e sentir, tem muito a ver até com a geografia do seu local de nascimento. No Japão existem muitos vulcões – montanhas – e os deuses masculino e feminino, respectivamente, Izanagi e Izanami, foram quem criaram as rochas e montanhas. E também quem arremessaram as lanças das quais os respingos no mar fizeram surgir as ilhas tão comum aos nipônicos. Afinal, o Japão é um conjunto delas.
:::::
E o Homem Criou Deus
Por que somos seres dotados de racionalidade, consciência, emoções e sentimentos?
O homem recebe estímulos do meio ambiente e os processa a fim de poder reagir adequadamente a eles. Os sentidos são os canais de entrada e o sistema nervoso, incluindo o cérebro, o computador de processamento. Isto é a racionalidade.
Qual o propósito último dessas propriedades? Dessa capacidade? A perpetuação dos seres humanos na Terra!
A consciência é a propriedade na qual o cérebro volta a si próprio, verifica se está certo ou errado na realização de funções. Verifica sua própria atuação. Mas é também um instrumento da inteligência, da razão. Como um exemplo, imagine você tomando uma decisão em um jogo de xadrez. Você pensa: “vou colocar a torre ameaçando a dama adversária e, meu oponente, ao tirá-la de sua posição, vai me facilitar um xeque-mate através de minha dama e a outra torre”. Veja, por seis vezes seu cérebro “requisitou” a consciência nesse raciocínio: “eu” vou, “minha” torre, “meu” oponente, a “mim”, “minha” dama, “minha” torre. Na verdade, foi a consciência que dirigiu todo o processo. Ela é um dos maiores, se não o maior, instrumento de nossa racionalidade. Nem é preciso dizer o quanto ajudou em nossa sobrevivência no planeta.
Mas existem os nossos sentimentos e emoções também... E digo novamente: perpetuação dos seres humanos!
Os mamíferos são organismos zelosos com suas proles e também são seres sociais. São muito mais que isso. Mas como podem ser diferentes dos répteis e peixes, de animais onde seus descendentes são livres ao penetrarem no meio ambiente logo após o nascimento, sem nenhum cuidado por parte dos genitores?
Existe um elo de ligação entre pais e filhos nos mamíferos: o afeto, o amor. E aí começa a história. Sem esses sentimentos, e muitos outros, os filhotes não sobreviveriam pois nascem imaturos, despreparados para enfrentarem o mundo sozinhos. E sem sentimentos e emoções não formaríamos famílias, não nos protegiríamos, não faríamos por nós e pela coletividade. Leia os textos indicados após este artigo e o livro "Os Dragões do Éden", de Carl Sagan.
Além da racionalidade, emoções e sentimentos foram decisivos em nossa sobrevivência na Terra. As forças evolutivas os criaram.
Neste ponto a ciência difere dos filósofos cristãos, pensadores etc., que diziam ser os sentimentos, emoções e a racionalidade, frutos da influência de algo imaterial como um espírito ou alma. Se as forças evolutivas criaram um sistema dotado dessas três propriedades para a nossa evolução, por que existiria algo imaterial a influir nesse sistema?
O espírito acompanhou toda a história evolutiva dos organismos até nosso cérebro? Ele se apossou do cérebro em certa altura da história evolutiva dos nossos antepassados? Ele “dirigiu” as forças evolutivas conduzindo a evolução do sistema nervoso? Perguntas até hilárias! Isto não é ciência! Ciência é estudar os fenômenos naturais, explicá-los, sem apelar a nenhum artifício, ou “atalho”, facilitando a compreensão desses estudos.
Mas podemos ir mais longe. E por isto coloquei a consciência no começo do artigo, mencionando-a como um agente de suma importância em nossa evolução.
Acredito que seja necessário, no mínimo, de duas condições para um sistema ser dotado de consciência: amor próprio e fé. Sem amor próprio tal sistema não sobreviveria. E sem fé, ao menos por nós mesmos, nem sequer levantaríamos da cama! Não acreditaríamos em nós, em nosso potencial.
Esses sentimentos funcionam como “suportes”, “amortecedores” naturais para um sistema consciente e foram criados pelas forças evolutivas.
Mas a fé nos leva, pelo menos na maioria das pessoas, a acreditar em um ou mais deuses. E estes últimos foram uma “constante” em civilizações do passado e é comum em comunidades indígenas no mundo inteiro. Até hoje nossas sociedades, inclusive as indígenas, são em maior número de politeístas.
É confortante para o homem acreditar em algo superior, transcendental, que o ajude e o ampare.
Ter consciência do mundo, da existência de uma separação entre nós e o que nos cerca, pode levar-nos a uma solidão juntamente com uma insuportável crise existencial. O homem não agüentaria viver neste mundo sem algo de superior a acreditar. Mais uma vez, outro “amortecedor” natural oriundo da fé.
E aí chegamos em uma conclusão surpreendente a qual o leitor já deve ter concebido. Sendo a fé o sentimento que nos faz acreditar em seres imateriais, transcendentais, onde se pode acreditar até no ato de criação de tudo que existe em nosso universo, e sendo “suporte” para a consciência, então Deus e deuses foram e sempre serão criados pela mente humana!
Referência: www.cerebromente.org.br :
"A Base Material dos Sentimentos" I e II (2001);
"O Porquê dos nossos Sentimentos" I (2001) e II (2002) - por Argos Arruda Pinto.
:::::
O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto
Cristianismo: a religião cristã. A maior do planeta com cerca de 2,2 bilhões de adeptos. Nela, Jesus Cristo é Filho de Deus e a Bíblia o livro sagrado onde Eles ensinam Suas palavras e Suas vontades a Seus seguidores.
Islamismo: a religião muçulmana. Com um número aproximado de 1,3 bilhões de adeptos, Alá é o seu deus e Maomé o seu profeta. O Corão é o livro sagrado no qual o anjo Gabriel revelou a Maomé os ensinamentos e as vontades de Alá. Para os muçulmanos Jesus é apenas um profeta em nível terreno e humano. Diga a eles que Cristo é filho de Deus e você será motivo de gozação!
Hinduísmo: aproximadamente 900 milhões de seguidores. Cultuam um grande número de deuses e deusas como Brahma, Shiva e Vishnu. Shiva destrói o universo enquanto Vishnu dorme boiando em um oceano. Brahma, montado em uma flor de lótus, nascida no umbigo de Vishnu, reconstrói o universo. Existente há mais de quatro mil anos, o hinduísmo é diferente e muito do cristianismo e do islamismo. Não há um livro comum ou um conjunto de textos comuns seguidos pelos hindus, embora os Vedas e o Bhagavad Gita sejam bastante populares. Diga a um hindu que Alá é um deus e você será motivo de gozação!
Budismo: possui entre 300 e 400 milhões de adeptos e se desenvolveu a partir de Sidarta Gautama, o Buda. As escrituras e ensinamentos budistas são complexos e variados, mas existe uma Lei de Originação Dependente onde todos os fenômenos do universo estão ligados entre si em uma infindável cadeia de interdependência. O budismo não reconhece nenhum deus criador, onipotente, onipresente e onisciente. Diga a um budista da tríade Brahma, Vishnu e Shiva como os agentes criadores e destruidores do universo que você será motivo de gozação! E também será motivo de gozação se disser a um cristão sobre a negação budista de um deus criador!
Essas são as quatro religiões com os maiores números de adeptos no mundo inteiro. Não estou criticando certas "verdades" de cada uma, apenas, e isto não é pouco, mostro o quanto de ridicularização pode existir se confrontarmos algumas idéias ou preceitos de cada uma entre seus seguidores. E coloquei em seqüência partindo do islamismo estranhando o cristianismo até este ridicularizando o budismo. Uma circularidade patética devido somente a eles, com suas idéias absolutistas. E eu poderia cruzar cada um deles com os outros que a mesma estranheza apareceria.
Qual das religiões está certa em seus princípios, dogmas, idéias etc.? E quanto às outras existentes?
Edward Wilson, um dos criadores da sociobiologia, relata em seu livro “Da Natureza Humana” que os homens criaram até hoje mais de 60.000 seitas e religiões. E podemos dizer sem dúvida alguma que acharíamos adeptos em todas elas com a mesma carga emocional de fé que adeptos das quatro citadas acima. Não é porque, por exemplo, o cristianismo, sendo predominante em países avançados tecnologicamente e financeiramente, está correto em princípios e ensinamentos do que uma seita indígena acreditando em deuses das florestas, rios céu, terra, etc. Encontraríamos índios com a mesma intensidade de fé em seus deuses como um grande sacerdote católico acredita no Deus cristão.
Então, em resposta à pergunta do parágrafo mais acima, posso dizer: nenhuma está correta em relação à outra. E não adianta proferir aquela frase tão comum por aí: “as religiões se referem a uma mesmo deus”. Existe o hinduísmo politeísta e o budismo sem nenhum deus. E a maioria das religiões até hoje foram politeístas!
O que existe é uma relatividade enorme entre elas. E de absoluto a capacidade do homem em sentir e acreditar! E aqui está o propósito deste artigo.
Em outro artigo meu, “E o Homem Criou Deus” (neste blog, www.genismo.com e www.ataliba.eti.br), falo da necessidade biológica do ser humano em acreditar em algo imaterial, maior que ele, para não se sentir sozinho, indefeso e com um grande vazio dentro de si. As forças evolutivas tiveram que criar uma “muleta” emocional sem a qual o cérebro, consciente de si e do corpo que comanda, pereceria com esse vazio angustiante.
Falo de um sistema racional e emocional indo além de um sistema lógico.
Edward Wilson diz que o medo da morte e o que poderia vir ou não depois dela fora o principal motivo do homem criar tantas seitas e religiões. A grande maioria delas cita, “inventa”, um mundo pós-vida.
E vou além. Qualquer ser vivo, consciente de si próprio no universo, seria fraco demais se não houvesse essa “muleta” emocional a garantir sua sobrevivência.
Claro, estou falando de Darwin.
:::::
Consciência, Genes e Nada Sobrenatural
O cérebro humano é uma máquina físico-química com aproximadamente cem bilhões de neurônios. Toda essa maquinaria, junto com outros tipos de células, é responsável pelos nossos pensamentos, imaginação, abstrações, sentimentos, emoções, etc., e, o que é também impressionante, nosso caráter e personalidade.
Tudo isso são propriedades emergentes das reações físico-químicas, ou seja, propriedades situando-se em níveis superiores daqueles das reações, mas dependentes destas.
Uma pergunta difícil de ser respondida é aquela onde se questiona se podemos entender, na totalidade, o funcionamento dessa maquinaria. Não precisaríamos de uma mente superior para entendermos uma inferior? Podemos criar circuitos neurais e aproximá-los em propriedades da nossa forma de pensar e sentir.
Uma questão sempre me intrigou com relação às nossas mentes: a consciência; uma propriedade das mais complexas, talvez a maior, de nossos cérebros. O sistema volta a si mesmo e se reconhece. Mais ainda, corrige erros, verifica suas verdades e asserções, sabendo que é de si próprio o que se trata. E o mais extraordinário: a consciência volta a si mesma, sabendo da própria existência.
Nenhuma lei científica consegue explicar esta façanha (embora existem tentativas recentes como, por exemplo, as idéias do neurologista português Antonio Damásio no livro “O Mistério da Consciência”) e aí seria um “prato cheio” para vitalistas, animistas ou criacionistas dizerem de algo sobrenatural guiando nossas mentes ao gerar nossa consciência.
Não é bem assim. Apesar de não termos leis matemáticas, cibernéticas ou da Teoria de Sistemas elucidando essa questão neural, temos um recurso a nos apoiar: nossos genes.
Eles são a “planta” de construção de todo nosso corpo incluindo o cérebro. Tudo funciona como funciona porque nossa estrutura, com base nos genes, é do jeito que é.
Eles ainda deixam parte de nossa estrutura cerebral com uma plasticidade intacta a ser moldada pelo meio ambiente durante nosso crescimento. A criança se desenvolve em um mundo diferente daquele dos seus pais. Através de estímulos ambientais ela vai aprendendo a reagir ao mundo externo e seu cérebro vai realizando conexões neurais específicas.
Quer dizer que nascemos com parte de nossa personalidade e caráter formados e parte é moldada pelo meio ambiente. Um grande recurso da evolução porque o ser humano não poderia possuir um cérebro rígido, sem a oportunidade de evoluir com as mudanças ambientais. Não estaríamos aqui hoje!
Então o cérebro funciona do jeito que funciona, com propriedades realizando as mais diversas funções, devido à sua estrutura construída de acordo com os nossos genes.
Não importa se compreenderemos as propriedades cerebrais primeiro com leis científicas ou com a codificação dos genes. Importa é saber que nada vem de algo sobrenatural.
A consciência, talvez a mais complexa propriedade cerebral, vem de uma estrutura, o cérebro, construído com uma “planta”, nossos genes. Tudo energia e matéria conhecidas por nós.
:::::
Altruísmo versus Egoísmo - Só o homem poderá salvar o próprio homem
Cena comum em muitas cidades no mundo inteiro: um mendigo enfermo sentado em uma calçada pede uma esmola a alguém. Existem vários tipos de pessoas e podemos obter algumas conclusões de um episódio deste.
Uma passa pelo mendigo, não dá nada, não possui nenhum sentimento humanitário, solidário. Outra dá algum dinheiro pois tem pena daquela pobre criatura. Outra mesmo com pena não cede. Enfim é uma situação nada simples e se poderia falar em dezenas de reações dos pedestres.
Mas um fato eu afirmo categoricamente: muitas, mas muitas pessoas sentem, lá no fundo, um certo peso na consciência. Elas sabem que diretamente são a única salvação do enfermo, mas não se mobilizam para salvá-lo, nem a outro. Não entram para alguma associação de caridade, não contribuem, não se envolvem. Claro que não, o egoísmo é poderoso. Poucos praticam o altruísmo.
Muitos rezam pelo próximo em suas igrejas ou mesmo sozinhos em casa, pelos cuidados de Deus. Ficam aliviados, extraem o peso de suas consciências porque delegam a um ente abstrato uma responsabilidade só sua. Unicamente sua. Fácil não?!
Por natureza somos e vivemos entre dois pólos: o egoísmo e o altruísmo. Se fôssemos 100% só um deles seríamos extintos. Só egoístas não formaríamos sociedades, famílias. Só altruístas esqueceríamos de nós mesmos por completo. Nem conseguimos pensar direito como seríamos totalmente.
Onde quero chegar? Bem, sou otimista quanto ao nosso futuro como espécie animal.
Milhares de anos de cultos, seitas e religiões e parece que o homem não aprendeu muito a respeito de solidariedade, humanidade e altruísmo. Continuamos nos matando e explorando uns aos outros.
Não é possível “extirpar” nosso lado egoísta mas podemos e devemos desenvolver nosso lado altruísta. E será com este lado mas também com as ciências e a tecnologia que o homem aprenderá a dar mais valor ao seu semelhante e, o mais importante, agirá em benefício deste. Não quero dizer em substituição das religiões: temos um lado de acreditar em algo superior como menciono em “A Relatividade das Religiões e o que Existe por trás Disto”. Mais de 90% da população mundial possui alguma crença.
Um dia e não faz muito tempo percebemos o quão estávamos poluindo a Terra. Espécies de plantas e animais sendo dizimados também pela ocupação humana em diversos habitats.
Movimentos solidários à natureza surgiram em todos os cantos do mundo e a tendência é continuar. Lembro-me em que há poucas décadas nem se falava em ecologia. Hoje é uma palavra das mais usadas na mídia, por exemplo.
Um dia o ser humano cairá em si e verá que não se está dando o devido valor como para com os outros seres vivos.
Querem um exemplo? Mate um animal silvestre e você será preso sem direito à fiança. E quantos crimes são beneficiados pela fiança? Muitos. A aberração aqui não é o fato de não se dar direito à fiança a alguém exterminando um animal e sim ao fato de um homem poder tirar a vida de outro e ser contemplado com ela. E isto sem falar em relaxações de pena...
Então voltaremos a nós mesmos após trabalharmos e muito pelos outros seres vivos, pelo meio ambiente, pela Terra. Iremos parar e pensar: faço tanto por eles e o que faço pelos nossos irmãos? A própria sociedade cobrará a si mesma, ou seja, uma mentalidade emergente surgirá naturalmente do sistema em questão. Propriedades emergentes aparecem em situações especiais dos sistemas como algo “acima” do funcionamento deste, em um nível mais elevado.
Na verdade já existem pessoas, órgãos, associações etc., com este propósito mas precisamos de mais. E este “mais” então virá com o tempo.
A ciência e a tecnologia, em dois ou três séculos, mais que dobraram a vida média das pessoas, colocaram o ser humano em uma época de maior conforto de sua história e irão reparar os danos oriundos desse avanço com a conscientização citada acima.
Imaginem novos materiais a construírem moradias mais baratas, alimentos nutritivos e acessíveis à população de baixa renda, mais trabalho, assistência médica etc.
Se com o egoísmo nada disso valeria, o altruísmo, as ciências e a tecnologia levarão o ser humano a um patamar em qualidade de vida nunca imaginada por ninguém.
NOTA: a salvação espiritual pregada pelo cristianismo e todas as outras religiões prometem e conseguem que muitas pessoas melhorem de seus estados emocionais negativos. E assim poderão ter uma melhora na qualidade de vida conseguindo estabilidade financeira, melhor assistência médica, alimentação etc. Mas a neurociência está provando que a prática das religiões envolve áreas cerebrais responsáveis pela ansiedade, angústia, depressão etc. Na verdade então é uma melhora psicológica... Psiquiatria, psicologia e a neurociência, entre as suas ramificações, poderão substituir qualquer prática religiosa para os males do cérebro. Mais uma vez é o ser humano se voltando para o próprio ser humano (28/02/2013).